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quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Poema a Quatro Mãos

O poema abaixo foi escrito na mesa do Barzão, em Canoas RS no sábado à noite. O motivo foi uma necessaire que um amigo achou caída na rua.
Na pequena bolsa continha alguns objetos mas nenhum que pudesse identificar a dona da mesma.
Começamos a divagar sobre a identidade, profissão, etc da pessoa que perdeu a referida necessaire.
Lá pelas tantas o Belcino teve a idéia de escrevermos um poema que refletisse um pouco as questões levantadas sobre o objeto encontrado.
O resultado está abaixo: um texto excrito a quatro mãos.
Na ordem: Belcino, Álvaro, Daniel e Nato
Valeu
Daniel

Uma caneta perdida, quatro mãos e um guardanapo.
Barzão, 24/11/2007

A tinta que escorre
Não sei de onde vem
achei-a perdida
e a fiz de refém

Na noite que urde
E me faz divagar
Que a dor de uma perda
Embora a perceba
Não sei soletrar

Perder matéria não é nada
Problema é não sentir nada
Por um minuto lá
Eu me perdi
Posso ser sua desculpa
Culpa da sua renúncia!

Naufragado nas profundezas
Do objeto do enigma
Emergi no teu mundo
Sugeri minha história

Rapidamente as sutilezas
Me imputaram um estigma
De um labor meio imundo
De um viver na escória

Com a responsabilidade
De cuidar de uma tinta escorrida
Que virou um refém,
Iria me fazer de rogado.
Mas confesso: não ficaria bem.
Uma coisa é certa:
Essa renúncia me causaria angústia.
Poderia usar de subterfúgios, fugas e astúcia.
Porém por estar em companhia de amigos,
Um de agora, outros de tempos idos,
Pensei em heróis, mocinhos e bandidos.
E como mesmo assim me surgisse uma história
Que emergisse das profundezas,
Apelei pro banal;
Para o exterior;
O trivial.
Então, na iminência de fugir da missão
Pensei num meio, um medium em ação.
E tal como um salto súbito, feito um "mosh"
Olhei pra minha mão direita e achei o mesmo:
Uma caneta Bosch.