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segunda-feira, 16 de março de 2009

Rock Canoense dos Anos 80

Sexta-feira passada (13/03/09) tivemos mais uma confraternização da nossa turma com futebol e churrasco na quadra do Valdir. Depois de uma partida disputadíssima, em meu time perdeu por 5 X 4 saboreamos o tradicional churrasco assado pelo Ximba.

Show de bola, encontrar os amigos, tomar umas geladas, contar e ouvir piadas,   tocar  os velhos (e novos) sons no violão, ouvir o Belcino tocar suas músicas, realmente tudo isso não tem preço.

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No sábado encontrei o Nando, Nato, Rafael e Emílio no Bar do Amadeo. Mais uma rodada de cerveja e a boa conversa sobre futebol, amenidades e os problemas do universo.

Um pouco mais tarde chegou o Duda. Camarada ‘das antigas’, ex-vocalista da banda Anhanguera (ou seria Mandrágora). Pois foram algumas horas regadas a cerveja e história divertidíssimas lembradas com precisão pelo Duda.

 

A essas alturas estávamos apenas Eu, Nato, Duda e Rafael. Como é bom reviver, rememorar toda aquela magia que envolveu os anos 80 em Canoas. A explosão de bandas que culminou com o nosso Woodstock no parque capão do Corvo. Duas edições de uma amostra cultural que na segundo evento chegou a reunir cerca de 10 mil pessoas, segundo os jornais da época.

O Duda relembrava tudo com direito a datas e detalhes que eu e o Nato já havíamos esquecido. O Rafael é da ‘Nova Geração’  (parece coisa de Star Trek) mas também se divertiu com toda essa riqueza de acontecimentos que vivenciamos nos anos 80. E que memória do Duda, uma enciclopédia ambulante do rock de Canoas.

 

Impossível esquecer algumas passagens da história do rock Canoense da década de 80. Como o dia em que num show na rua primeiro de maio em Niterói, em que a chuva forçou a todos (músicos e platéia) a debandarem do local indo se abrigar embaixo de marquises ali por perto. Mas o Duda no vocal e o Paulinho na bateria não se entregaram. Continuaram no palco interpretando se não me engano “Child in Time” do Deep Purple , numa versão realmente acústica pois os microfones já estavam desligados. E o Duda todo molhado no palco mandando ver no Ian Gillan.  O Paulinho tocava protegido da chuva pela cabeleira armada que ostentava na época. Sensacional.

 

Outro momento mágico relembrado pelo Duda foi  o show de bandas que ocorreu em 1984 no Colégio Carlos Chagas. Desse show, quando eu tocava com o Apocalipse, eu lembro apenas fragmentos tendo em vista que o litro de Batida de Coco que compartilhei com o resto da banda antes do show me impediram de armazenar todos os bytes relacionados ao evento. Lembro de relance que lá pelo fim do show saltei do palco e andei no meio do público tocando guitarra sem ao menos me importar quantos metros de cabo eu tinha de folga prá me movimentar. Foi nesse show que ‘roubaram’ um pedal Sound do Jairinho (hehehe).

A folclórica história de que o Jairinho trocou um pedal de guitarra por um tênis foi mais uma vez citada, desta vez pelo Duda. Diante de mais essa confirmação eu não tenho mais dúvida: Realmente aconteceu apesar do Jairo negar até hoje.

Lembramos de figuras carismáticas como o Antônio Gomes, Sérgio Gomes (o Duda lembrou de quando o Sérgio comprou o seu primeiro teclado , um Korg Poly 800 e que tocaram juntos nesta época). Lembramos do saudoso guitarrista André da banda Exílio. Lembro com nitidez do André mandando ver na guitarra, muitas vezes ‘prá lá de Marrakesch”  mas sem perder a técnica.

Foram citadas outras figuras ilustres como o guitarrista Marcelo Santos (que já tocou com Deus e todo o mundo),  o nosso amigo Chimia e sua performance incomparável de “Bete Balanço”. Lembramos da banda “Crise” que tinha Veveto, Gérson e Leandro Inox. Os caras faziam um som pesado muito legal. Na época o guitarrista Gérson já inovava na guitarra tirando timbres e riffs que me incitavam a ir atrás e descobrir como ele conseguia tirar aquela sonzeira.

 

Veio à memória as bandas experimentais Sem Tempo (com o baixista Marco Meira e o guitarrista Rogério, por onde andarão?). Mais tarde acho que eles formaram a Jazzida.  Tenho um cartaz antológico que anuncia um show triplo de “Crise”, “Apocalipse” e “Sem Tempo”. Prometo postá-lo aqui em breve.

Recordamos o magnífico som da banda Ato de Criação que tinha Sergio Gomes(teclados), Costa Lima(baixo), Geraldo Dutra (batera), Grande, Dinho entre outros. Os caras faziam algumas coisas experimentais de muito bom gosto. O vinil “Ato de Criação” hoje é uma raridade. Um dia ainda vou vender o meu em algum leilão milionário.

Relembramos também o Caldo de Cana com Vilsinho no vocal, A Contrabanda do Porongo que fazia uns acústicos sensacionais numa época em que nem se falava em Unplugged. A Além da terra do Pedrão na batera e Cia. Que som maluco os caras faziam, e que saudade de ouvir aquelas músicas.  Tinha também A Mandrágora, do Jairinho, A Manga Rosa.

Num tempo em que se fazia música com sentimento verdadeiro. Sem formulismos e nem comprometimentos mercadológicos, comerciais. Eram música visceral, autêntica, digna, verdadeira.

Lembramos do grande amigo o batera Maurício que tocou com muitos dos músicos citados aqui, inclusive tocou comigo e o Jorginho no saudoso  Terrasse Itália. O Maurício batera nos proporcionou uma festa incrível na sua casa há alguns anos. Foi a reunião dos Dinossauros do Rock de Canoas. Estavam muitas dessas figuraças aqui citadas neste evento.  Rolou Jam prá tudo quando é lado.

Muita a pretensão a minha querer resumir todos aqueles anos em algumas linhas aqui sem cometer injustiça de não citar um ou outro personagem importante daquela época.

Mas prometo retomar essas lembranças em próximos posts. Quem tiver material, fotos, cartazes. Escaneia e me manda que publico aqui.

 Encerramos a noite de sábado nos despedindo e combinando de nos encontrar (como sempre) ali no Bar do Amadeo (Fioravante esquina Vítor Barreto, centro de Canoas) num sábado qualquer para repartirmos boas recordações sobre os velhos tempos do rock canoense.

 

 

 

4 comentários:

  1. Olha, histórias dessa época, existem muitas. E foi muito legal encontrar os caras e lembrar algumas delas.
    Espero que isso se repita.
    P.S. A minha primeira Banda era Anhanguera mesmo, Daniel.
    Depois vieram Exílio, Anhanguera (com o Maurício na batera), Síndrome, Rock na Esquina na sequência, a carreira solo nos bares.
    Abraços.
    DUDA PORTO

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  2. Olá amigos
    Quem escreve é Leandro Martins, ex-Inox
    Que satisfação tive em encontrar essas lembranças na internet. Faz tanto tempo, mas tenho até hoje, guardada com carinho, uma fita k-7 com duas canções da Crise, gravadas no estúdio Eger. Quero me comunicar com vocês. Por onde andam e oque fazem todos....Hoje estou morando em Brasília, sou jornalista da EBC, (ex-Radiobrás) Grande abraço a todos. Me escrevam, meu e-mail é leandrojosemartins@gmail.com

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  3. Que satisfação encontra-lo aqui Leandro.... O rock pesado da CRISE deixou saudades em todos nós que vivemos aqueles tempos mágicos do rock de Canoas. Um grande abraço...
    Daniel Eloi P Oliveira
    Ex-Guitarrista do Apocalipse

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  4. Muito bom remexer lembranças tão boas, abraços a todos!
    Moisés - Contrabanda
    faceboock Moises MX

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