Sexta-feira última assistimos dois shows excelentes no Abbey Road Studio bar em porto Alegre.
No palco, Panta e um baterista passearam por covers de U2, Damien Rice e algumas composições próprias. Foi um dos melhores shows do Panta que eu já assisti. Ele realmente estava numa noite inspiradíssima e esbanjou talento com sua voz.
O show do Panta que já estava excelente ficou melhor ainda quando subiu ao palco o grande trumpetista Jorginho do Trumpete. Com improvisos de muito feeling o instrumentista mostrou que estava totalmente em sintonia com os outros dois músicos protagonizando momentos emocionantes.
A noite começou com o show de abertura por conta da americana Jennifer Nichols que, acompanhada apenas de seu violão, tocou clássicos do folk, blues e country além de algumas canções pops. No repertório Cranberies, Eagles, Janis Joplin entre outros. Uma voz estupenda aliados a muito carisma. A moça mandou ver contagiando todos que estavam presentes. Show de bola. Prá mim dois momentos mágicos de sua apresentação foram os covers de "Me and Bob McGee" e "Mercedes Benz" classicos imortalizados na voz de Janis Joplin que foram adaptados e interpretados com muito talento pela cantora Jennifer.
Assim que eu receber as fotos deste show eu publico aqui.
Na próxima semana parece que o show do Panta vai ser na quinta-feira no Abbey Road. Segundo estou sabendo haverá participações especiais.
Update em 02/11/2007: O show comentado neste post não foi o que o Jorge Pereira (meu amigo e cumpadre Jorginho) participou. O Show PANTA interpretando Bandas Inglesas com participações especiais com o Maestro Tiago Flores, quarteto de cordas da Ulbra e tenor Jorge Pereira são contadas NESTE POST
Habeas Almas
domingo, 7 de outubro de 2007
Showzaço no Abbey Road Studio Bar
quinta-feira, 27 de setembro de 2007
GRENAL - Turma do Rock Parte 2 - O Churrasco de Confraternização
Aeh pessoal, coloquei mais um videozinho do GRENAL da nossa turma. Filmei um pouco o churrasco que teve logo depois da partida. inseri algumas fotos também e uma trilhazinha do Bob Dylan (Like a Rolling Stone) de fundo.
terça-feira, 25 de setembro de 2007
GRENAL da Nossa Turma - O Importante é a Amizade
Bem pessoal, finalmente consegui terminar essa ediçãozinha em vídeo do GRENAL da Nossa Turma que rolou no Campus da ULBRA em Agosto de 2007.
Como o recurso de video estava bastante precário foi bastante complicado de editar. No total tinham 9 minutos de gravação que reduzi prá 5 min prá poder postar no Youtube sem problemas. Filmado na minha câmera fotográfica Aiptek, o jogo teve como árbitro o nosso amigo Gladimir, que apesar de apitar enrolado com a camisa do Internacional se esforçou pra fazer uma arbitragem imparcial.
Os destaques do jogo no vídeo estão restritos ao primeiro tempo pois foi o que deu pro Bruno filho do jairo filmar. A câmera começou a acusar falta de bateria e o segundo tempo não foi filmado.
Comentem aqui o que vocês acharam do jogo, do placar, dos lances, enfim manifestem-se.
Prá mim estão todos de parabéns, pois apesar da notória falta de forma de muitos a correria foi grande e como dá prá notar no vídeo o jogo estava bem movimentado.
O video mostra alguns lances muito interessantes e alguns piorescos ocorridos no primeiro tempo. Destaque para o vôo do Luke no comecinho do jogo, ficando preso na cerca. Isso mostra que ao contrário das críticas, os 'enxertos' colorados no time gremista desempenharam com dignidade o seu papel. O Léo foi um dos responsáveis pela grande reação gremista (na base da raça prá variar) pois incentivou o tempo todo mesmo quando o placar estava totalmente adverso.O Luke se esforçou bastante e fez algumas jogadas muito legais.
Foi uma pena o Daison não ter podido jogar pois organizou tudo, e inclusive ainda não nos cobrou o churrasco e o chopp.
Não vou comentar o desempenho de cada um pois no geral foi acima da expectativa. A maioria está fora de forma mas apesar disso todos se esforçaram resultando num bom jogo.
Vou citar um destaque: O Kíki me surpreendeu. Apesar do incrível gol perdido sem goleiro, em outra oportunidade ele marcou. Teve um bom um desempenho no restante da partida atuando do meio de campo para o ataque.
O primeiro gol dos vermelhos foi uma tabela entre o Nato e o Jairinho no lado direito do ataque colorado. Muito legal: O Jairo recebe do zagueiro e diante da marcação do Gabriel ele passa pro Nato que devolve em um toque. É o chamado Overlaping ou o 'Toco e me voy' dos argentinos.
Na sequência o Jairo passa a bola em diagonal pro Nato que acerta o canto na saída do goleiro (eu). Tá no vídeo.
A partida teve outros gols e lances muito legais no segundo tempo, inclusive com um golaçõ do jairo do meio da rua, outros gols bonitos do Glênio e o meu gol de cabeça aparando um cruzamento do João Maurício.
No final ficou a expectativa de quando será a próxima confraternização futebolística reunindo esses novos e velhos amigos de sempre.
sexta-feira, 14 de setembro de 2007
Na época da Banda Habeas Almas
Na época a banda chegou a ter as músicas "Contra a Solidão", "Sons da Noite" e "Farol" rodando direto diariamente na FELUSP FM, hoje Pop Rock FM.
Muito boa lembrança, Marcelo. Já tinha esquecido de muitos destes detalhes sobre esta nossa ' tour' por Carazinho em 1986.
Prá complementar gostaria de contar o que aconteceu depois que vocês foram embora.
Eu e o Alfeu acordamos atrasados. Corremos até a rodoviária mas o ônibus já tinha partido. E nós com as passagens nas mãos...
Aí pegamos um taxi e fomos atrás do ônibus, pois segundo o taxista era possível alcançá-lo. E de fato conseguimos, o motora emparelhou o taxi ao lado do ônibus enquanto fazíamos sinal para ele parar.
O motorista do ônibus ficava olhando surpreso e não entendia o que queríamos com os braços sacudindo feito uns loucos na janela do taxi, que corria bastante.
Aí abanamos com as passagens e o ônibus finalmente parou. Subimos e descobrimos que os nossos lugares já haviam sido ocupados. Outra viagem de pé no corredor. Depois de algumas horas algumas pessoas desceram e conseguimos finalmente sentar e descansar.
Ainda sobre o show que fizemos, lembro que fui prá frente do palco e uma garota me puxou pela bainha da calça e perguntou (gritando, devido ao volume do som):
-- Onde vocês estão hospedados?
Aí eu respondi, meio sem pensar:
-- Na casa do Zé Bombeiro!!
A guria ficou meio sem entender nada. E até acho que ela pensou que eu estivesse tirando sarro da cara dela...
Valeu...
Carnaval em Laguna - Anos 80
Vou perguntar pro Marcão informações e detalhes de como foi a viagem de ida deles. Depois posto aqui.
De minha parte, fui de caminhão a contragosto do motorista. Ele não tava nem um pouco a fim de dar carona e só o fez porque alguém da empresa que ele trabalhava, que era meu amigo, lhe solicitou que me levasse.
Passei momentos de apreensão naquela carreta carregada de barras de ferro,o cara sentava o sarrafo e cometia imprudências de apavorar. Fazia ultrapassagens múltiplas, e quando a coisa encrespava ele tocava por cima dos carros que estava ultrapassando forçando-os a ir pro acostamento se não quisessem engrossar as estatísticas de trânsito.
Finalmente paramos num posto na entrada de Criciúma que conforme o combinado era até onde eu iria naquela carona. Acho que tanto eu quanto ele demos graças a Deus. Eu pelo medo de acompanhar aquele demente e ele porque nas outras paradas que fizemos bebia só leite. Isso mesmo,reparei que o cara ficava encarando as garrafas de bebida em cada lancheria que parávamos, noentanto não tomou nada porque temia que eu o entregasse na empresa na qual ele trabalhava.
Saí do posto e fui prá estrada tentar uma carona. Depois de algum tempo caminhando no sol, naquele mormaço de verão, nada de carona, eu comecei a ficar bastante desanimado. Naquele fim de mundo, já com fome e ninguém nem sequer fazia menção de parar. Até que a sorte pareceu mudar.
Um cara com um Fiat Fiorino parou subitamente e ofereceu carona. Logo que sentei, depois de ter colocado o violão e a mochila na parte traseira do veículo,percebi que havia alguma coisa errada com aquele cara. Era um sujeito de uns 40 anos, meio alemão, com barba de alguns dias e cabelo desalinhado. Além disso era cheio de tiques e falava sem parar,meneando a cabeça prá os lados como se tivesse que olhar prá todos os espelhos simultaneamente. Pior do que os trejeitos esquisitos era também a tendência a pesar o pé no acelerador. E também adepto das mesmas ultrapassagens suicidas do motorista da carreta que tinha me trazido até ali.
Caiu-me a ficha que o cara tava chapado quando ele falou o seguinte:
-- Meu, tu é cabeludo,tu toca uma viola, então tu também fuma um...
Antes que eu falasse qualquer coisa, ele abriu o porta luvas da Fiorino e caiu caixas de comprimidos, ampolas, e outras porcarias que a julgar pela forma como estavam embaladas também eram drogas. O cara puxou um meio tijolo de erva e em segundos,enquanto dirigia em alta velocidade com um dos dedos mindinhos da mão, esmurrugando alguns torrões, e sem parar de olhar pros espelhos, fechou um baseado.
Virou prá mim e perguntou:
-- Aí, vai?
Eu disse que não e ele foi um bom trecho fumando o bagulho e costurando entre os demais carros na pista.
Quando chegamos perto da entrada prá Laguna eu falei:
-- É aqui.
E o cara não diminuiu a velocidade,se limitou a dizer:
-- Não. É mais adiante...
Depois de uns três ou quatro quilômetros ele percebeu que de fato tínhamos passado do ponto de parada:
--Meu, viajei era lá mesmo, tu não te importa de voltar a pé...
--Claro que não. --Respondi.
De fato encarar outra pernada no sol era melhor que me arriscar com aquele maluco.
Andei,andei e logo depois chegava na entrada prá Laguna. Eu sabia que não iria dar prá encarar a pé até o centro da cidade. Então comecei a pedir acarona de novo. Logo adiante encontrei uma blitz policial. Pensei rápido e vi que poderia tirar algum procveito da situação. Um dos carros que estavam parados era um Fiat Prêmio, praticamente zerado, (não vamos nos esquecer que lá se vão alguns anos), e que nem emplacado estava ainda.
Vi que o policial olhava os documentos do carro e fazia perguntas pro motorista. O cara dava explicações e parecia estar preocupado. Eu cheguei,pedi licença ao policial e perguntei pro cara:
-- O senhor me consegue uma carona?
O cara não sabia o que responder,pois estava na dúvida se o policial iria o liberar logo.
Então prá minha surpresa, o policial perguntou:
-- Tu vai levar ele?
E o cara:
-- Vou.
Então eu já fui abrindo a porta, colocando as minhas coisas no banco de trás e me instalando no banco da frente.
Assim que eu me instalei o policial devolveu os papéis pro cara e disse prá ele seguir. Fechou todas. Prá mim pela carona e pro cara do Fiat parece que também pois já tava todo suado e logo depois de arrancar deu um profundo suspiro.
Cheguei na centro. Depois de algumas caminhadas encontreium outro maluco que eu tinha conhecido nas andanças que costumávamos fazer no bairro Bom Fim em Porto Alegre. Se não me falha a memória o nome dele era Luiz. Apesar dele viajar prá caramba era muito boa gente. Me ofereceu até a barraca dele prá dormir, convite que eu recusei porque provavelmente o Divino e o Marcão trariam uma barraca onde ficaríamos.
Acho que foi depois de algumas horas que encontrei os dois caminhando por Laguna. Qual foi a nossa surpresa ao percebermos que nenhum de nós três tínhamos trazido barraca. Na verdade os dois tinham já passado uma noite ali dormindo ao relento num camping gratuíto.
O Marcão conta que quando acordaram de manhã apenas enrolados num cobertor e, diante da surpresa das pessoas das outras barracas em volta, o Divino teria dito:
--Acorda,Marcão, roubaram a nossa barraca!
Deram uma disfarçada e se evadiram do local.
Logo chegou a noite e o problema de ter onde dormir aumentou de proporção. Principalmente no meu caso pois o cansaço da viagem tinha me deixado pregado. Prá piorar a situação, não encontrei mais o maluco que tinha oferecido a barraca.
Depois de algumas horas vagando pelos bares de Laguna, e de alguns litros de cerveja, decidimos dormir nas dunas da beira da praia mesmo.
Deitamos na areia os três um do lado do outro. Olhei pro Divino e vi que ele ajeitou até um travesseiro feito de areia, e logo adormeceu com as duas mãos unidas enterradas sob 'travesseiro' ecológico.O semblante era de quem estava no conforto da própria cama de casa.
De tão cansado peguei no sono logo e acordei um pouco depois quando uns pingos de chuva começaram a pipocar no meu rosto. Não acreditei...
Começou a cair uns pingos grossos que nos forçou a bater em retirada do hotel relento.
Chegamos num bar e prá conseguir ficar numa mesa, pedimos mais uma cerveja. Enquanto a tomávamos em silêncio, pois o desânimo e o sono tinham tirado a disposição pra qualquer coisa, percebi que algumas pessoas olhavam pra nós, cochichavam entre si e riam.
Comecei a me encabritar. Do que esse pessoal está achando graça? Olhei pra cada um de nós tentando identificar alguma coisa errada e nada.
Foi aí que o Divino se virou pra pedir outra cerveja e eu vi que a orelha dele estava tapada de areia. O cabelo todo dele naquele lado da cabeça na verdade tinha areia, parecia um beduíno recém chegado do saara. Mas o que chamava a atenção mesmo à distância era a orelha completamente cheia de areia.
Avisei o Divino tentando ser o mais discreto possível, se é que aquela situação vexatória permitisse alguma discrição. Ele se inclinou um pouco e bateu com a palma da mão no lado oposto da cabeça fazendo o tampão de areia se despreender da orelha e se acumular sobre a mesa. O montinho de areia que se formou entre os copos foi a gota d’água pra que começássemos a rir convulsivamente...
Tenho que também fazer um flashback e contar a versão que o Marcão (Marcos Wallauer) me enviou para alguns detalhes que eu já havia contado:
"Isso aconteceu foi em meados de 82 ou 83.Lembro de combinarmos de ir pra Laguna no Carnaval, eu, o Daniel, Divino, Jorginho? (acho q tinha mais gente), lembro também de inventarmos isso num xis na Júlio de Castilhos em Niterói (Canoas RS).
Bom, Eu (Marcão) e o Divino fomos pra freeway pedir carona, pois não tínhamos grana pro ônibus (alias tinha é que sobrar grana prás festas). Alguém ficou de levar a barraca (acho q foi o Jorginho). O Divino levou a panela e um liquinho."
Pausa. Como falei antes, isso explica o porquê das noites ao relento: ninguém levou barraca.
"A primeira carona foi com um velhinho numa kombi cheia de cachorro e galinha, ele tava com o filho pequeno, nos amontoamos junto com os bichos e fomos saboreando um cantil de cachaça com butiá que o Divino tinha preparado. O véio da kombi perguntou o que a gente tava tomando e demos o cantil pra ele, o qual voltou quase vazio."
A kombi nos largou na entrada de Osório pra Tramandai, desci da kombi já esticando a mão, parou uma marajó. O Divino tava ainda se amarrando conversando com o véio da kombi. Era uma mulher. Tinha mais um louco pedindo carona e ofereci pra ele (coisa de parceria de caroneiro). Fomos, eu, o Divino e esse cara.
Saltamos na entrada de Laguna, o cara e a mulher seguiram viagem.
Entramos num boteco de beira de estrada aonde começamos a "fabricar a turbina" que ia nos acompanhar o carnaval inteiro, era uma mistura de Martini, com Fanta e vodka. Colocamos numa garrafa de água mineral e fomos bicando.
Depois voltamos prá estrada prá pedir carona, desta vez tava mais difícil e ainda faltava uns 12 km ate Laguna. Já era noite quando espichei o braço e o veículo parou... era um ônibus. Seguimos até Laguna. (pagando passagem claro)."
Segue a descrição do Marcão:
"Chegando em Laguna o fervo era grande, ruas cheias de gente, lembro que passei numa rua e veio uma louca e me lascou um beijo na boca. Fomos andando prá ver se achávamos alguém ou um camping. Acabamos parando debaixo de uma parada de ônibus encostado de um rio. Era noite e resolvemos dormir ali na parada mesmo. Foi quando veio um barco e descarregou um monte de gente, o Divino perguntou pra onde ia, o cara do barco disse que ia pra ilha, perguntamos se tinha onde acampar lá, o cara falou que sim, lá fomos nós.
Chegando lá, devido a quantidade de sangue na corrente alcóolica, capotamos na grama se tapando com um lençol.
A manhã chegou e tava cheio de barulho, meti a cara pra fora do lençol e foi aquilo: A gente tava no meio de um monte de barraca com gente pra tudo que é lado.
Ouvi uns comentários de gente nos chamando de doido, sei lá, dei umas cotoveladas no Divino e disse que tava cheio de gente nos olhando, o louco murmurou algo e continuou dormindo. Continuei o acotovelando. Aí ele bota a cara pra fora, olha pros lados e berra:
Roubaram nossa barraca", bah eu não queria mais nada, rolava de rir."
Essa parte eu já tinha contado...hehe
"Seguindo a fubanga voltamos pra cidade e fomos num supermercado preparar algo pro rango e mais matéria prima pra nossa bomba caseira.
Quando estávamos saindo, pára um ônibus bem na frente e desce um cabeludo com mochila nas costas e uma viola, era o Daniel...."
Pois eu (Daniel) já tinha até me esquecido que depois da carona eu tinha pego ainda mais um ônibus.
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Falei com o cara, ele topou empresta-la. Fomos até lá e deu um certo desânimo ao ver que a era daquelas pequenas, prá duas pessoas. Ele concordou que revezássemos o seu uso prá dormir.
Depois de tudo acertado, convidamos o cara prá dar uma volta pela cidade. Ele concordou mas disse que antes tinha que fazer um rango.
Ele revirou algumas coisas, pegou um saco de papel,. tirou um pedaço de pão já mordido e deu umas batidas prá derrubar as formigas que compartilhavam com ele da mesma refeição. Depois começou a dar mordidas e a mastigar rapidamente. Guardou o pão novamente no saco prá próxima refeição do dia.
Falamos prá ele que tínhamos trazido fogareiro e comida e que ele poderia comer com a gente enquanto estivéssemos ali.
Aí o cara me saiu com essa pérola:
-- Bah, rango de panela faz uma semana que eu não como...
Os olhos da figura brilharam diante da possibilidade de comer finalmente alguma comida de verdade. As formigas é que devem ter ficado tristes por ter perdido o parceiro de pão.
Não sei como é o Carnaval de Laguna atualmente, mas nos anos 80, era realmente muito freqüentada sobretudo por canoenses. Era bastante comum encontrar amigos e conhecidos nas ruas naquele tempo, quem era de Canoas como nós se sentia em casa. Fora isso, nossa cara-de-pau era tamanha que fazíamos amizades por todo canto.
Teve dias que choveu bem na hora de cozinhar, aí o jeito foi pedir prá uma família da barraca ao lado para que nos emprestasse a área prá cozinharmos.
--Divino, conseguimos um lugar prá cozinhar, vamos nessa.
Ele pegou os apetrechos e foi conosco até lá. Montou o fogareiro e começou a pedir alguns ingredientes emprestados prá dona da barraca:
-- A senhora teria um pouco de azeite prá me emprestar?
-- Sal?
-- Um pedaço de cebola?
Não que ele estivesse abusando da boa vontade daquele pessoal, é que se não fosse assim o rango não iria sair mesmo...
Acho que foi nessa mesma noite que estávamos dormindo e de repente sentimos alguém se amontoar por cima. O dono da barraca chegou na madruga prá lá de Marrakesch, e se jogou prá dentro esquecendo completamente que estávamos lá. O jeito foi alguém sair prá fora e dormir o resto da noite na grama ao ar livre
Falando em porre, quem tomou todas mesmo numa daquelas noites foi o João (Betial). Encontramos ele num banheiro público com um rolo de papel higiênico na mão. Depois de algumas horas bebendo e nos divertindo no carnaval de rua vi que o João tinha passado da conta. De uma hora prá outra ele começou a girar no meio da multidão completamente fora de si.
Ele primeiro corria prá trás com a cabeça inclinada prá cima, descrevendo espirais que iam aumentando de diâmetro a medida que ia abrindo uma clareira no meio do povo. A partir de um certo ponto não era mais possível dizer se ele estava acelerando voluntariamente, ou se estava era tentando recuperar o equilíbrio. O fato é que já não se podia fazer mais nada prá ajudá-lo, estava entregue às leis da física.
Um paralelepípedo um pouquinho mais alto na rua pôs fim a agonia fazendo-o se estatelar no chão. Felizmente não se machucou muito, ou pelo menos nem sentiu. Espanou os confetes da roupa e recomeçou a beber.
Lembro que o Jorginho nos encontrou numa noite daquelas e nos aconselhou a irmos embora. O Marcão tinha pegado muito sol, tava num vermelhão de dar dó. Na época filtro solar não era prioridade. Na verdade nem sei se já existia...
A coisa estava braba mesmo. O cansaço das noites mal dormidas naquela barraca prá cachorro, o repetitivo arroz do Divino na improvisada cozinha nas pedras, as caminhadas intermináveis de um lado pro outro, além do trago todo que tomávamos esgotou-nos de um jeito que precipitou a volta prá casa.
Devido ao grande número de pessoas na cidade só conseguimos passagens para viajar de pé no corredor do ônibus e assim mesmo só até Tubarão.
Sabíamos que iria ser dureza enfrentar algumas horas de pé. Então compramos uma pinga, que se bem me lembro era uma daquelas caipirinhas prontas, de garrafa.
Por sorte logo de saída sobrou um lugar bem na frente e combinamos que revezaríamos prá que todos pudessem descansar.
Enquanto conversávamos de pé no corredor do ônibus íamos enchendo um copo plástico e tomando a bebida. De vez em quando o coletivo passava por um buraco ou mesma fazia alguma manobra brusca e o líquido precioso derramava do copo. Havia um casal de gordinhos sentados em poltronas diretamente expostos à chuva de caipirinha. O gordinho começou a se impacientar e a reclamar. Não sei se por temer alguma confusão ou se ainda existia um restinho de compostura, mas fizemos um esforço e demos uma segurada no trago.
De repente o Divino fala:
Foi aí que, já estando quase vencendo o último caminhão daquela ultrapassagem, surgiu um homem no meio da pista.
Não dava prá frear bruscamente colocando em risco todos os passageiros. O motorista deu uma segurada e pegou o cara de cheio.
O ônibus parou. Todo mundo em choque, só nós que não. Amortecidos pela caipirinha, fomos os primeiros a descer. Juntamos o homem agonizante e colocamos num carro para que o levasse ao hospital.
Alguns minutos depois chegava a polícia rodoviária dizendo que ele tinha morrido e que o ônibus deveria ficar ali mesmo prá perícia. Pronto, nos ferramos. Tivemos que ficar ali por várias horas esperando a chegada de um outro ônibus prá seguir viagem.
O Divino, prá variar, soltava piadinhas o tempo todo:
--Bah, motora tu é Pele Vermelha, tirou o escalpo do cara. – Falou apontando para um buraco com restos de cabelo na frente do ônibus.
Depois dessa tirada de humor negro fora de hora, ele passou a contar como tinha sido nosso carnaval em Laguna. Divertiu o pessoal. Sobretudo quando contou que o arroz que ele fazia era tão grudendo que o cara ficava com dificuldade de pular carnaval à noite nas ruas.
--Ficamos com as cadeiras duras... – Dizia prá gargalhada geral.
Finalmente depois de longa espera retomamos viagem num outro ônibus ainda menor que o primeiro, e terminamos dormindo no corredor uns encostados nos outros. Em Tubarão, baldeação e toca prá Porto Alegre numa indiada que parecia não ter fim. Finalmente chegamos em casa e dormimos uns três dias seguidos prá se recuperar do cansaço.
Apesar de tudo esse carnaval em Laguna foi mais um daqueles momentos mágicos que vão ficar guardados em nossas memórias pelo resto de nossas vidas.
Um passeio em Garopaba com os amigos Marcelo e Carlinhos
Fomos eu, Marcelo e o Carlinhos (irmão do Jorge ET "Rato Wakeman"). O Carlinhos tinha uma namorada em Araçatuba (em Santa Catarina próximo de Garopaba) que tinha arrumado quando acompanhou a banda Antares que foi tocar o Carnaval lá. É bom que se diga que era um namoro ainda bem no início que ainda não lhe conferia muita proximidade com a família da moça. Faço questão de citar estes detalhes porque os acontecimentos que se seguiram naquela nossa estada por aquelas bandas, incluindo as frequentes jantas e cafés da manhã que nós três filávamos na casa dela é no mínimo uma tremenda cara-de-pau.
Já na saída da rodoviária de Porto Alegre começaram os motivos pra gozação. As poltronas foram compradas separadas. A fome que começou a fazer a minha barriga roncar me causou um certo constrangimento.
O Marcelo numa poltrona do corredor, sentou do lado de uma senhora com uma criança que apesar de já meio grandinha, viajava no colo da mãe. Pois a dita cuja passou uma boa parte da viagem comendo chocolate e passando as mãos melosas na manga da camiseta do nosso amigo. A uma certa altura da viagem ela teve uma dor de barriga e passou a pedir licença a cada dez minutos ao Marcelo pra ir ao banheiro. Além inconveniente que estava causando a ele, o cheiro nada agradável que emanava toda vez que ela abria a porta do sanitário fazia os demais passageiros trancar a respiração por alguns segundos.
O Carlinhos estava do lado de uma outra senhora que de vez em quando cismava em viajar de pé, talvez pra aliviar alguma dor nas pernas e ficava no corredor apoiada no encosto da poltrona dele. Eu lá de trás me divertia vendo ele se inclinando no sentido oposto da mulher cada vez que ela cochilava de pé numa tentativa discreta de ‘desencostar’ dela...
Já era noite avançada, quando num trecho bastante escuro da BR 101 o Carlinhos nos acordou:
--Vamo lá que tâmo chegando...
Olhei pela janela e só via os vultos das árvores e um nevoeiro danado que não animava muito querer descer do ônibus.
Mas pegamos nossas coisas e seguimos o parceiro até a cabine do motorista. Ela falou alguma coisa pro cara e logo o ônibus parou.
Descemos os três naquele local ermo que, se já estava escuro, quando ônibus se afastou então... Tivemos que esperar alguns segundos até que a visão se acostumasse e o Carlinhos finalmente identificasse um caminho entre as árvores que levaria até o vilarejo.
-- Puta que pariu, mas isso aqui tá bem assustador.
Falei algo parecido com isso e comecei a falar da semelhança daquele momento com a cena do início do filme "Um Lobisomem Americano em Londres" que havia pouco tempo eu tinha assistido. Pra quem não se lembra, no filme dois estudantes americanos andam em meio ao nevoeiro num vilarejo no interior da Inglaterra. Dali a pouco um lobisomem os ataca.
A minha insistência em tentar assustá-los assumiu um caráter mais cômico do que macabro e passamos a nos divertir e rir muito da situação. Especialmente quando começamos a nos aproximar de alguns botecos e os moradores dali olhavam todos prá nós como se fôssemos uma aparição saindo do nevoeiro naquele caminho entre as árvores.
Chegamos na casa de um conhecido do Carlinhos que concordou em nos ceder o terreno para armarmos a nossa pequena barraca. O Carlinhos ficaria hospedado na casa da namorada, se não me engano.
No dia seguinte àquela primeira noite de sono mal dormido, o Marcelo descobriu que tinha uma pedra embaixo da barraca bem do meu lado de dormir, o que justificava eu ter passado a noite tentando me alinhar sem conseguir. E como ele tirou sarro da minha cara por causa disso... até hoje ele conta esta parte da história acrescentando que eu supostamente teria dito a ele que eu suspeitava estar com alguma problema na coluna, quando o que estava desalinhado era o próprio chão.
Mas a minha oportunidade de retribuir a gozação chegou logo. Num dia pela manhã olhei pela janela da casa do cara que nos havia cedido o terreno e vi a empregada da casa, uma menina negra, chupando a lata de leite condensado que o Marcelo tinha deixado na geladeira deles para não estragar.
Ou seja,a neguinha dava umas 'bicotas' no leite Moça e o Marcelo todo dia passava um pouco no pão...
Lembro da primeira noite que sentamos à mesa com a família toda prá jantar.
A cena era meio surrealista, pois todos ficaram praticamente em silêncio nos observando. O Carlinhos dê-lhe a contar histórias numa tentativa de quebrar o gelo daquela situação.
Num canto da sala havia uma TV preto e branco antiga ligada na novela. Essa TV era simplesmente uma 'viagem', era daquelas que foram usadas antigamente e que já vinham de fábrica com um vidro em três cores que se sobrepunha ao tubo de imagem. Ou seja,era uma TV 'a cores' num certo sentido, embora as cores permanecessem estáticas em três faixas horizontais que cobriam todo a tela.
O Carlinhos volta e meia perdia a compostura e pegava salada da travessa direto com as mãos, sem usar talheres. E eu e o Marcelo ali, nos contendo e nos esforçando muito prá não cair na gargalhada.
Quando digo que nossas provisões eram poucas, estou falando sério. Lembro que as bolachas que havíamos levado foram quase todas consumidas na demorada viagem de ônibus de Porto Alegre até lá. Sobrou uma lata de salsicha,uma lata de goiabada e uma lata de pêssego em calda. Alguém pode estar se perguntando,porque levar pêssego em calda e goiabada? Era o que tinha sobrando no armário de casa. E quando não se tem muita grana, qualquer coisa comestível vira dinheiro. Arroz, batata, essas coisas, nem cogitávamos levar porque não só não tínhamos qualquer espécie de fogão como também não sabíamos cozinhar.
Lembro que num dos últimos dias dessa estadia em Santa Catarina comemos goiabada com salsicha e pra descer tomamos a calda do pêssego misturada com água. Essa improvável combinação culinária demonstra a criativa capacidade adaptativa do homem em situações de privação.
Por falar em passar necessidade quero lembrar que foi nessa nossa viagem que apelidamos o nosso amigo César Fraga (Cesinha da banda Big Zen Voodoo) de ‘Tubarão’. Isso porque encontramos ele na praia catando alguns peixes doados pelos pescadores numa tentativa de garantir a refeição diária. Pois no momento que nós o encontramos ele tava com um filhote de tubarão martelo na mão. Foi muito cômico. Batemos até uma foto que quando eu achar eu coloco aqui.
A ida para praia, portanto, não era muito fácil. Primeiro pela distância já citada entre a tal de Araçatuba, onde ficava nossa barraca e Garopaba. Segundo porque ônibus que cobrisse aquele trajeto era apenas um ou dois por dia.
Um dia de tanto caminharmos no sol nos deslocando pra praia, o Marcelo ficou com o pé muito queimado que passou a inchar e incomodá-lo até a hora de voltarmos pra Canoas. Noutro dia voltando também a pé, um touro se 'encarnou' em mim. Ficou me fitando e se aproximando com um olhar amedrontador. Suspeitei que era por causa do desenho de um sol vermelho enorme na minha camiseta. Tive que apressar o passo e até correr um pouco prá sair da linha de alcance do bicho.
Diante disso a alternativa era pegar carona. Certo dia pegamos carona num caminhão que estava transportando um barco. Como não tinha lugar na cabine fomos na carroceria,um de cada lado do barco.
Os caras resolveram nos sacanear e passavam acelerados pelos buracos da estrada e davam risada na cabine olhando pelo retrovisor e vendo nós dois passando mal lá atrás. É que o barco de vez em quando se deslocava para um ou outro lado e quase nos derrubava do caminhão.
Ao chegarmos na praia eles queriam que ajudássemos a descarregar o barco. Saímos fora e não demos nem conversa pra eles.
Acho que foi neste mesmo dia que,depois de alguns mergulhos no mar, ao sairmos da água percebermos que a camiseta do Pink Floyd nova do Marcelo tinha desaparecido da areia. Procuramos ali por perto e nada de encontrar. Certamente alguém tinha roubado. O desaparecimento da camiseta configurou-se um problema sério porque havia uma placa no ponto de ônibus que alertava dizendo que sem camisa não era possível viajar no coletivo.
Já estávamos admitindo a hipótese de ter que encarar a pé o trajeto de volta quando encontramos uns caras jogando futebol na beira da praia. Suspeitamos daquele pano branco que servia como uma das traves. Dito e feito: Era mesmo a camiseta do Marcelo. Pegamos a dita cuja que já não tinha mais o aspecto de uma camiseta nova. Na verdade estava toda molhada, cheia de areia e bem esticada. Provavelmente alguém a tinha torcido ou algo parecido. O nosso amigo teve que a usar naquele estado mesmo.Era o único jeito de voltar de ônibus. Mas que ficou esquisito ficou. A camiseta branca encardida, cheia de areia e com a gola enorme caída prá um dos lados deram uma aparência deprimente ao Marcelo. Em solidariedade eu e o Carlinhos poupamos ele das gozações, por digamos uns 10 minutos...
Minha memória me trai e já nem me lembro como eu e o Carlinhos fomos embora também. Só lembro que na viagem de volta tínhamos comprado dois pãezinhos que comemos a seco prque a grana tinha definitivamente acabado.
Apesar de todos os contratempos, esta viagem foi um dos momentos que considero mais mágicos de minha juventude do qual me recordo frequentemente e me orgulho de ter vivido.
Histórias da Turma - Kíki e a capotagem do Fusca
Eu à esquerda (Daniel Oliveira) e Paulo Henrique (Kíki) , na direita. Em uma festa de aniversário, anos 80.
Certa vez ele havia brigado com a namorada. Pegou o fusca azul celeste de seu pai e foi encher a cara com outro amigo nosso. Tomaram todo o estoque de vinho de um bar no centro. Resolveram voltar para casa e, prá variar o Kíki pisava cada vez mais no acelerador.
Joní gostava também de velocidade, seus assuntos preferidos eram carros e equipamentos de som. Talvez fosse por isso que ele, apesar de estar com medo, não pediu para o Kíki diminuir a velocidade do carro, digo fusca. Limitava-se a segurar-se cada vez mais forte no chamado "puta-merda". Chegou ao ponto de colocar as duas mãos sobre a referida alça no painel, mas não dizia nada. Kíki, pelo contrário, balbuciava algumas frases desconexas, algumas delas se referindo à sua namorada:
– Aquela desgraçada...Eu não vou querer saber mais dela... Mas eu gosto dela...
Essa última frase ele repetia mais constantemente, e em tom cada vez mais dramático. Joní não falaria definitivamente nada em relação à maneira como Kíki estava dirigindo. Não queria passar por medroso, logo ele que vivia falando em correr de carro.
Dobravam as esquinas cantando pneu até que tomaram a BR. Aí o pé no acelerador pesou...Subiram o viaduto que faz um "S" e, exatamente no meio da descida, o Kíki lascou:
– Joní, sente só o que eu vou fazer...
Ao proferir essa enigmática sentença (que quase foi de morte), ele puxou o freio de mão e torceu a direção pro lado, como se estivesse tentando dar um cavalo-de-pau. A perigosa manobra, naquelas condições, era mais uma irresponsabilidade do que uma tentativa de suicídio. Acho que ele não queria se matar. Ele sempre foi assim mesmo. Quando bebia fazia as maiores proezas com os carros que invariavelmente paravam na oficina.
O fusca trancou as rodas no asfalto, capotou uma vez no ar e mais algumas vezes no chão. Quando ele parou emborcado com as rodas prá cima, o Joní ainda de ponta-cabeça completou:
– Kíki, sente só o que tu fez...
Tiveram muita sorte em não terem sofrido praticamente nada naquele acidente. Algum tempo depois, numa batida contra um poste, um outro amigo que acompanhava o Kíki não teve tanta sorte e quebrou o nariz contra o painel do carro.
Estávamos na janela do clube conversando quando avistamos o fusca azul parar na frente do portão. Kíki estava com a cabeça estranhamente do lado de fora da janela do carro. Parecia que o veículo estava amassado, então descemos e fomos olhar.
Ele estava dirigindo com o teto tão amassado, que era impossível permanecer com a cabeça do lado de dentro. Estava criando coragem ou ganhando tempo para poder formular uma desculpa que justificasse trazer o carro de seu pai para casa daquele jeito. Foi quando seu irmão que estava conosco, lhe perguntou:
-- O que aconteceu?
-- Um cara me fechou, em cima do viaduto e eu quase morri.
Essa seria a desculpa que ele usaria também mais tarde para o seu pai, quando chegasse em casa com o carro naquele estado.
