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Habeas Almas

terça-feira, 10 de abril de 2018

1986 – O Ano que Mudou Nossas Vidas


                   Mil novecentos e oitenta e seis, ano de mudanças para o Brasil, para mim e para muitos dos meus amigos.
                   Nova República; nova moeda; o Cruzado; Sarney Presidente; o Rock brazuca tomando conta do País e de uma geração; o Rock gaúcho começando a ocupar seu espaço e o Rock inglês tomando conta do mundo.
                   Eu, então com 19 anos, vivi muito desta efervescência, apesar deste ano ter sido totalmente atípico para mim, pois prestei o serviço militar obrigatório, isso mesmo, fui milico, ‘reco’, durante 1 ano e 26 dias.
                   Apesar de ter acontecido contra a minha vontade, vivi grandes aventuras e fiz amigos para uma vida inteira.
                   Nesta época, meus amigos e eu, tínhamos uma espécie de Quartel General, para nos encontrarmos, sem agenda, sem compromisso, pintava lá e encontrava um camarada ou vários, para tomar uma ceva gelada, bater um papo e dar uma “formigada nas minas” e também marcar uma banda na night.
                   O quartel general que me referi anteriormente, era a sorveteria do Seu João velho camarada, da Roselaine, amiga, gente boa e mãe do Casinha, filho do Casão, leia-se Gladimir e o próprio e seu uniforme jaleco amarelo limão cítrico. A sorveteria ficava no seguinte endereço: na “Júlio” quase esquina da Tamoio, ao lado do “X” do Mel e quase na frente da casa da “mina do Daison” leia-se Simone, hoje esposa do Daison, mãe do Alison e dos gêmeos Andrei e Andressa, uma bela família.
                   A história que vou contar, não me lembro o mês, nem se era dia 10 ou dia 15, me lembro que era o inverno de 1986.
                   Sexta-feira a noite como de costume estávamos na sorveteria bebendo umas “cevas”, além de mim, Daniel, ele mesmo, Daniel animal, grande parceiro, Jorginho, hoje menino do Rio, Alfeu e Fernando “Bozó”. Nessa época eles formavam a banda de Hard Rock Habeas Almas, orquestrada pelo Daniel e suas composições politicamente corretas. O assunto da mesa era um só, o show que o Habeas Almas faria no sábado junto com a banda Astaroth(Banda de Heavy Metal, bastante conhecida nos anos 80 no estado), na cidade de Carazinho, interior do estado, onde estava nosso amigo João Maurício, passando uma temporada, digamos, para recuperar as energias e reorganizar as idéias.
                   Acontece, que ficamos até às 3 da manhã conversando e bebendo na sorveteria, e o ônibus que nos levaria até Carazinho sairia da rodoviária de Porto Alegre às 7 da manhã e de fato saiu e eu o perdi. Tentei abordá-lo na BR-116, junto à Estação Niterói do Trensurb, meus camaradas que estavam no bus tentaram também, ambos sem sucesso. Fiquei ali parado vendo o ônbus sumir na BR, sem poder fazer nada, uma grande frustração. Voltei para casa decepcionado!! Tomei uma café e uma decisão: vou para Carazinho!!!. Peguei o Trensurb e fui até a rodoviária em Porto, consegui passagem de ida para o final da tarde, grana curta... vida de milico... mas comprei a passagem!
                   Só sabia que o show era em Carazinho, mais nada. Embarquei com a cara e a coragem de quando se tem 19 anos, e fui. Chegando lá, já era noite, um frio do car......o, perguntei a uma garota que desembarcou comigo se ela sabia onde era o show. Por coincidência, ela conhecia o João Maurício, mas não me recordo o nome dela, o namorado veio apanhá-la no rodoviária,  cara super gente boa, me deu uma carona até o local do show.
                   De cara, encontrei o João Maurício, logo em seguida, o Daniel, o Jorginho, Alfeu, Sérgio Gomes e a esposa. Acho que tinham feito a passagem de som. Saindo de lá, fomos todos para casa do Zé bombeiro, camarada do João Maurício, “uma figura”.
Chegando lá tinha uma galera muito louca, muito legal e já rolava a “descontração”. A convite do Zé bombeiro, a galera ficou baixada na baia do cara. Depois “dos dois” deu àquela “larica”. Fomos todos, Habeas Almas e seu staff jantar num restaurante por conta da organização do evento, aonde fomos apresentados à ala feminina da cidade.
                   Alimentados, fomos para o show, ceva liberada rock & roll e a mulherada...
                   Pela primeira vez, vi o Jorginho no palco com a banda, o show matou a pau, do mesmo nível do Astaroth. Meus camaradas estavam eufóricos e orgulhosos pelos aplausos do público e ao mesmo tempo aliviados pela estréia do Jorginho como vocalista ter sido um sucesso.
                   No show conheci uma loira chamada Adriana, também amiga do João Maurício, uma gata, filha de um fazendeiro plantador de arroz de Carazinho. Ficamos conversando e bebendo até o final da festa. Ela estava de carro, coisa rara na época, me convidou para tomar uma saideira, depois me levaria até a baia do Zé bombeiro. De cara aceitei, mas como nada é perfeito “do nada” apareceu o Alfeu pedindo uma carona, pois o Daniel já tinha saído de carona em outro carro e o Alfeu “ficou de pernada”.
                   Fomos todos para baia do Zé bombeiro, um frio do C....., chegando lá estavam todos bebendo vinho “de garrafão” e outros climas. Jorginho duro de Fanta, um amigo dando um xá-lá-lá numa gata e eu na Adriana também.
                   Uma hora depois, todos foram dormir exceto  eu, um amigo e as “minas”, que estávamos na sala, quando resolvi ir junto com a Adriana pegar mais vinho na cozinha, no caminho para cozinha passamos por um quarto com a porta aberta e aí que me surge a figura do Jorginho, deitado e dormindo na cama em uma posição fetal e tremendo de frio, sem nenhum lençol e nenhum cobertor, quase num quadro de hipotermia. Adriana me olha e diz: - Vamos colocar um cobertor nele! Senão vai morrer de frio!! Quando ela abre o cobertor de lã para cobri-lo, num ímpeto, numa fração de segundo, aquele corpo adormecido e cansado salta da cama quase que por instinto e se põe de pé, numa posição de defesa, movimentando os braços como se fosse “Kwai Chang Caine” – o monge Shaolin do seriado Kung Fu. Quando chamei-o pelo nome ele despertou! Pediu desculpas pelo gesto, pegou o cobertor e voltou a dormir.
                   Peguei o vinho, quando voltei para sala com a Adriana, e o tal amigo  já havia se agigantado para cima da “mina” que estava com ele, combinei com a Adriana, que tomaríamos o vinho no quarto, para deixar os dois mais a vontade e nós ficarmos tranqüilos no quarto. Apaguei as luzes e ficamos ali naquele clima “James Taylor”. Quando estávamos passando dos entretantos para os finalmentes, a surpresa, Alfeu acorda e sai acendendo todas as luzes da casa a procura de um remédio. Acabou com o clima, as mulheres, se inibiram, se retraíram e resolveram ir embora para suas casas. O amigo e eu queríamos “matar” o Alfeu, que naquele momento foi o legítimo, o autêntico “empata-foda”. Naquela madrugada gelada só nos restava dormir, e foi o que fizemos.
                   No domingo, lá pelo meio dia, a Adriana pintou lá na casa do Zé bombeiro, de motinho – TT125. Fomos dar uma banda até a rodoviária para comprar a passagem de volta, chegando lá, o susto, não tinha mais passagem para Porto Alegre. Bateu o terror, pois tinha que estar no quartel na segunda as 7 da manhã. Voltei para avisar os guris e tentar uma carona, que não rolou.
                   Resolvi voltar na rodoviária, me identificar como militar e tentar um jeito de voltar, fomos eu e o Jorginho, chegando lá, fui ao gerente da rodoviária e disse: “Sou militar, estou de serviço e tenho prioridade no embarque”, e o Jorginho de pronto falou: “Eu também”. O gerente aceitou o “71”, porém teríamos que ir num bus pinga-pinga, e de “pé”, pois não tinha mais lugares vagos. Aceitamos, uma penitência, “vamos combinar” seis horas de pé num bus pinga-pinga, é para f..., e ainda atrasou, chegamos a uma hora da manhã na rodoviária de Porto Alegre, esperamos mais um tempo o outro bus para vir até Niterói, fui dormir as 3 da manhã, exausto, para levantar às 6, ir para o quartel e tirar 24horas de guarda.
                   Mas, valeu!!! Tanto que mais de 20 anos depois estou aqui escrevendo esta história minha e dos meus amigos.
                   Nunca mais falei com a Adriana. Soube que o Zé bombeiro subiu, virou uma estrela. O João Maurício, encontrei o ano passado. O Alfeu, vejo vez em quando. O Jorginho, mesmo morando no Rio, o Daniel em Canoas e eu em Porto Alegre sempre estivemos juntos, nestes mais de vinte anos, mais que amigos, irmãos.
                   Janeiro de 2007 – Faço 40 anos no último dia deste mês, o tempo não pára, mas continuo acreditando naquela música do Apocalipse.
                   ... ♫ amizade, igualdade, coisas de irmão!!! Seja branco ou preto, amarelo ou não... ♫ ...



Marcelo Gonçalves
                                                                                                   Verão 2007

sábado, 4 de julho de 2009

Hoje mais uma Festa da Turma

É isso aí gurizada medonha... Hoje vai rolar mais uma grande festa da nossa turma de amigos. Vai ser no CSSSGAPA em Canoas próximo a Base Aérea.
Infelizmente não tive tempo para organizar nenhum showzinho desta vez. Mas na próxima prometo que deverá rolar algum som.
Tenho andado extremamente atarefado no trabalho e não tem sobrado tempo nenhum para dedicar a música.
O ingresso da festa custará 20 reais e pode ser acertado na hora com o Nando.
É isso aí galera, todos lá e depois eu posto aqui as fotos e os detalhes da festa.
Boa Festa a todos.... Valeu

segunda-feira, 16 de março de 2009

Rock Canoense dos Anos 80

Sexta-feira passada (13/03/09) tivemos mais uma confraternização da nossa turma com futebol e churrasco na quadra do Valdir. Depois de uma partida disputadíssima, em meu time perdeu por 5 X 4 saboreamos o tradicional churrasco assado pelo Ximba.

Show de bola, encontrar os amigos, tomar umas geladas, contar e ouvir piadas,   tocar  os velhos (e novos) sons no violão, ouvir o Belcino tocar suas músicas, realmente tudo isso não tem preço.

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No sábado encontrei o Nando, Nato, Rafael e Emílio no Bar do Amadeo. Mais uma rodada de cerveja e a boa conversa sobre futebol, amenidades e os problemas do universo.

Um pouco mais tarde chegou o Duda. Camarada ‘das antigas’, ex-vocalista da banda Anhanguera (ou seria Mandrágora). Pois foram algumas horas regadas a cerveja e história divertidíssimas lembradas com precisão pelo Duda.

 

A essas alturas estávamos apenas Eu, Nato, Duda e Rafael. Como é bom reviver, rememorar toda aquela magia que envolveu os anos 80 em Canoas. A explosão de bandas que culminou com o nosso Woodstock no parque capão do Corvo. Duas edições de uma amostra cultural que na segundo evento chegou a reunir cerca de 10 mil pessoas, segundo os jornais da época.

O Duda relembrava tudo com direito a datas e detalhes que eu e o Nato já havíamos esquecido. O Rafael é da ‘Nova Geração’  (parece coisa de Star Trek) mas também se divertiu com toda essa riqueza de acontecimentos que vivenciamos nos anos 80. E que memória do Duda, uma enciclopédia ambulante do rock de Canoas.

 

Impossível esquecer algumas passagens da história do rock Canoense da década de 80. Como o dia em que num show na rua primeiro de maio em Niterói, em que a chuva forçou a todos (músicos e platéia) a debandarem do local indo se abrigar embaixo de marquises ali por perto. Mas o Duda no vocal e o Paulinho na bateria não se entregaram. Continuaram no palco interpretando se não me engano “Child in Time” do Deep Purple , numa versão realmente acústica pois os microfones já estavam desligados. E o Duda todo molhado no palco mandando ver no Ian Gillan.  O Paulinho tocava protegido da chuva pela cabeleira armada que ostentava na época. Sensacional.

 

Outro momento mágico relembrado pelo Duda foi  o show de bandas que ocorreu em 1984 no Colégio Carlos Chagas. Desse show, quando eu tocava com o Apocalipse, eu lembro apenas fragmentos tendo em vista que o litro de Batida de Coco que compartilhei com o resto da banda antes do show me impediram de armazenar todos os bytes relacionados ao evento. Lembro de relance que lá pelo fim do show saltei do palco e andei no meio do público tocando guitarra sem ao menos me importar quantos metros de cabo eu tinha de folga prá me movimentar. Foi nesse show que ‘roubaram’ um pedal Sound do Jairinho (hehehe).

A folclórica história de que o Jairinho trocou um pedal de guitarra por um tênis foi mais uma vez citada, desta vez pelo Duda. Diante de mais essa confirmação eu não tenho mais dúvida: Realmente aconteceu apesar do Jairo negar até hoje.

Lembramos de figuras carismáticas como o Antônio Gomes, Sérgio Gomes (o Duda lembrou de quando o Sérgio comprou o seu primeiro teclado , um Korg Poly 800 e que tocaram juntos nesta época). Lembramos do saudoso guitarrista André da banda Exílio. Lembro com nitidez do André mandando ver na guitarra, muitas vezes ‘prá lá de Marrakesch”  mas sem perder a técnica.

Foram citadas outras figuras ilustres como o guitarrista Marcelo Santos (que já tocou com Deus e todo o mundo),  o nosso amigo Chimia e sua performance incomparável de “Bete Balanço”. Lembramos da banda “Crise” que tinha Veveto, Gérson e Leandro Inox. Os caras faziam um som pesado muito legal. Na época o guitarrista Gérson já inovava na guitarra tirando timbres e riffs que me incitavam a ir atrás e descobrir como ele conseguia tirar aquela sonzeira.

 

Veio à memória as bandas experimentais Sem Tempo (com o baixista Marco Meira e o guitarrista Rogério, por onde andarão?). Mais tarde acho que eles formaram a Jazzida.  Tenho um cartaz antológico que anuncia um show triplo de “Crise”, “Apocalipse” e “Sem Tempo”. Prometo postá-lo aqui em breve.

Recordamos o magnífico som da banda Ato de Criação que tinha Sergio Gomes(teclados), Costa Lima(baixo), Geraldo Dutra (batera), Grande, Dinho entre outros. Os caras faziam algumas coisas experimentais de muito bom gosto. O vinil “Ato de Criação” hoje é uma raridade. Um dia ainda vou vender o meu em algum leilão milionário.

Relembramos também o Caldo de Cana com Vilsinho no vocal, A Contrabanda do Porongo que fazia uns acústicos sensacionais numa época em que nem se falava em Unplugged. A Além da terra do Pedrão na batera e Cia. Que som maluco os caras faziam, e que saudade de ouvir aquelas músicas.  Tinha também A Mandrágora, do Jairinho, A Manga Rosa.

Num tempo em que se fazia música com sentimento verdadeiro. Sem formulismos e nem comprometimentos mercadológicos, comerciais. Eram música visceral, autêntica, digna, verdadeira.

Lembramos do grande amigo o batera Maurício que tocou com muitos dos músicos citados aqui, inclusive tocou comigo e o Jorginho no saudoso  Terrasse Itália. O Maurício batera nos proporcionou uma festa incrível na sua casa há alguns anos. Foi a reunião dos Dinossauros do Rock de Canoas. Estavam muitas dessas figuraças aqui citadas neste evento.  Rolou Jam prá tudo quando é lado.

Muita a pretensão a minha querer resumir todos aqueles anos em algumas linhas aqui sem cometer injustiça de não citar um ou outro personagem importante daquela época.

Mas prometo retomar essas lembranças em próximos posts. Quem tiver material, fotos, cartazes. Escaneia e me manda que publico aqui.

 Encerramos a noite de sábado nos despedindo e combinando de nos encontrar (como sempre) ali no Bar do Amadeo (Fioravante esquina Vítor Barreto, centro de Canoas) num sábado qualquer para repartirmos boas recordações sobre os velhos tempos do rock canoense.

 

 

 

domingo, 8 de março de 2009

Tchau Zé

A correria de trabalho que estou vivendo ultimamente atrasou a postagem deste triste post.
Esta semana faleceu nosso amigo José Ângelo, o Zé Bolt. Amigo de longa data, nos deixou subitamente ao que tudo indica de infarto.
Conheci o Zé no Colégio São Paulo, acho que já no primeiro ano que passei a estudar naquele colégio, na 5ª série em 1977.
Neste nosso blog da turma cito o Zé Bolt em vários posts pois ele foi um dos primeiros integrantes da nossa turma de amigos.
O Zé estudou comigo durante vários anos, e sempre foi um dos mais recatados da turma. Ficava na dele quando bagunçávamos as aulas de arte da antipática irmã Sílvia. Lembro nitidamente de um dia, lá pela sétima série do ginásio, em que a tal freira se atrasou numa de suas aulas.
Quando ela chegou a sala parecia ter sido alvo de um furacão. Era papel prá todo lado, tinham arrancado os espelhos da tomadas de luz e até invertido a gaveta da mesa dela.
O Vládi ainda puxando o blusão, tentava se soltar da janela em que estava preso. O ápice do motim foi quando alguém enfiou uma lixeira plástica na cabeça de um CDF da sala.

Lembro do Zé quieto, na dele. Apesar de ser nosso amigo, não participou daquela 'revolução' que felizmente não teve maiores consequências.
Em seguida me vêm a lembrança das piscinas do clube Grêmio Niterói. O indispensável calção Lightining Bolt que lhe deu o apelido, e aquele jeito peculiar do magrão de rir.

São lembranças esparsas que vem direto da adolescência pois infelizmente fazia anos que eu não tinha contato com o Zé.

Quando recebi o e-mail com a notícia nesta semana percebi o quanto somos frágeis, o quanto o tempo já passou desde aqueles verdes anos em que a velhice e a morte eram utopias distantes de nossa realidade.

É meus amigos, o tempo é implacável e vai recolhendo-nos durante sua trajetória prá quem sabe um dia nos colocar de novo próximos outra vez.

Gostaria de citar aqui algumas manifestações que circularam por email, relacionadas a morte do amigo Zé Bolt:

"Galera, realmente muito lamentável o fato, principalmente por eu ter estudado com o Zé nas primeiras séries no colégio São Paulo e depois nos reencontrarmos na adolescência fazendo parte da nossa turma. Curiosamente estava neste fim de semana na praia, e num daqueles momentos em que nossa mente insiste em voltar ao passado lembrei dele, me questionando onde andaria, e sempre que me lembro do Zé inevitavelmente me lembro de uma história que o Nenê contava, quando uma vez foram perseguidos (...), o Zé estava pilotando sua moto com o Nenê na carona e toda vez que iam entrar em uma rua para despistar ele corretamente ligava o pisca, indicando para onde iriam, história que nos rendeu por várias vezes muitas e boas risadas."
Daison


"Galera é com grande emoção que recebi esta notícia ontem através de e-mail pela Rosângela. Conheci o Zé Bolt em 1977 quando éramos colegas de aula juntamente com o Daniel. Desde então éramos parceiros de várias modalidades de esportes: Bike (caloi 10) éaramos eu e ele que montávamos nossas próprias bikes e skates (speedo) e na época o Marinha estava sendo inaugurado ou reformado não lembro ao certo, mas quem estava lá éra sempre eu e ele... gritando Snakeee e saiam da frente.
O apelido Zé Bolt pegou porque nós usávamos os velhos shorts da Lighting Bolt e curtíamos a piscina do Nit (bons tempos). A Rosana, Cleusa, Cátia, Angela, Tânia e a Rosangela (se não me engano também) faziam parte da turma, os marmanjos eram eu (Vladi) o José Ângelo (Zé Bolt - ele e o Pedro são meus primos segundo grau), Daniel, Joni, Miltinho, Paulinho, Rubens e claro os mano Nenê,Toninho que na época éram os bambas de moto (o Nenê e o Toninho nos deram um susto - sofreram um acidente feio de moto) e o Nato...
...Que Deus nos abençoe e que nosso amigo esteja em paz juntamente com outros que já nos deixaram prematuramente em especial o Nenê."
Vládi


"Puxa amigos,infelizmente é com muita tristeza que venho a todos neste momento.Como disse o Daniel, eu também há muitos anos não tinha mais contato com o Zé, mas era um grande amigo e parceiro de todas nos áureos tempos das noitadas (bons tempos) em Niterói. Sabemos que esse destino esta traçado para todos nós, mais é chocante quando acontece com um amigo, e principalmente de tão pouca idade como era o Zé, que ainda tinha muita coisa por fazer.Meus sentimentos a todos amigos e familiares."
Arlei (Boca)

"Transmitam a família os meus mais profundos pesames.
Nestas horas a gente não tem muito o que dizer, apenas desejar que Deus acolha de braços abertos a chegada deste irmão. "
Nando



"Fui vizinho do Zé na Júlio, inclusive aquele skate speedo acabei ficando com ele em troca de uma bola de basquete.
A última vez que falei com o Zé estávamos fazendo a academia Mappi, faz uns 4 ou 5 anos isto.
Partem os amigos e ficam as lembranças."

Marcão


Que Deus ilumine o espírito de nosso amigo e conforte seus familiares.

Zé, já estamos com saudades, fica com Deus. Dá um abraço no Nenê e no Maribinha quando chegar aí em cima...

Daniel Elói P Oliveira

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Encontro Inesperado Em Tramandaí



Na foto acima estão: (De pé ao fundo) Moisés (meu irmão), Nenê (na porta), Cisa (minha irmã). Sentados estão: Daniel (Eu, com o violão), Mara, Toninho(de vermelho), Joní (bem a frente), minhas sobrinhas Márcia, Fátima e Joseane, depois vem Adriana e Zé Bolt. (Eu sei, a foto tá ruinzinha, mas não vamos esquecer que as câmeras digitais não haviam sido inventadas ainda e esta câmera que bateu essa foto devia ser uma das mais baratinhas da época).




Passadas algumas décadas, me esforço para lembrar das circunstâncias que antecederam aquele encontro da turma em Tramandaí que resultou nestas duas fotos que apresento aqui.

Depois de tanto tempo a memória vai me traindo e, por mais que eu me esforce para achar o fio da meada e desenvolver um texto com começo, meio e fim sobre mais essa passagem de nossa juventude, o que me vem a lembrança são apenas fragmentos de mais essa passagem mágica de nossas vidas.

Lembro que eu estava com minha família acampado de barraca ao lado da casa de um parente. Não sei muito bem como foi que conseguimos combinar um encontro com a galera por lá, parece que o Nenê, o Toninho, a Mara, O Zé Bolt e a Adriana estavam na casa de alguém numa praia ao lado ou alguma coisa equivalente a isso.

O Joní, eu confesso que não tenho a mínima idéia de como foi parar lá. Faz algum sentido supor que ele estava como meu convidado pois além de grande amigo de longa data, éramos vizinhos muito próximos na rua Quaraí em Niterói.


Como já falei no início, lembro muito pouco deste encontro da galera em Tramandaí. O que mais forte me vem à lembrança é o aluguel da carroça da foto aqui de baixo.

Eu já tinha alugado por aqueles dias um cavalo para cavalgar na beira da praia, e lembro que voltei nos caras que alugavam os animais com o Toninho e, me parece que por sugestão dele, terminamos optando pela carroça.

O pangaré que puxava o primitivo veículo logo de início já mostrou que a volta pelo centro do balneário não seria muito animada. O bicho andava se arrastando. Não sei se era velho, se estava cansado ou se era preguiçoso mesmo.

O fato é que durante o interminável trajeto de ida e volta à tal 'locadora' de cavalos, eu oscilava entre rir e ficar envergonhado por estar atraindo olhares e risos dos veranistas de Tramandaí.


O ápice da tour pela cidade foi quando o tal pangaré estaqueou numa esquina e simplesmente não se mexeu mais. Não sei se era por cansaço, se demos algum comando errado nas rédeas, ou mesmo se o bicho tava tirando alguma onda com a nossa cara.

O fato é que depois de gritar, sacudir a carroça, e até de exercer alguma fustrada psicologia animal, descemos da carroça e aplicamos o método mais utilizado para desobstruir o trânsito: O empurrão.


Se fosse um carro, soltaríamos o freio de mão e ficaria fácil de empurrar. Mas o danado do cavalo travou as patas no asfalto e tivemos que colocar força prá valer até conseguir levá-lo pro acostamento.

E os carros buzinando atrás de nós, alguns já impacientes com aquele estorvo no trânsito, outros sacudindo a cabeça e rindo da nossa cara. O resto do trajeto de volta parece que fomos ao lado da carroça à pé, puxando o animal pelas rédeas, a passo de lesma.

No mais, lembro da imensa tristeza que me deu quando o pessoal começou a ir embora. No fundo eu sabia que era mais um momento iluminado de nossa juventude que se encerrava , mas que ficaria guardado numa daquelas gavetas do passado que toda vez que abrimos nos traz um sorriso nos lábios.

Na foto acima, Eu (Daniel), Cisa e Toninho . Ao lado da carroça estão minha mãe e minha sobrinha.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Nos Tempos da Sorveteria Badauê

" Fala meu amigo Daniel,Achei uma foto no meu arquivo que foi tirada na Sorveteria BADAUÊ,da minha prima Roselaine e meu grande amigo Gladimir(Kazão) acho que lá pelos anos 80, nela estão grandes amigos. Sentados na frente:Jorginho,menino não identificado, e eu Silvio(jacaré) logo atrás Nando,Kiki,moça da mesa não identificada,Daison,não consegui lembrar o nome do garoto ao lado dele.Atrás de Pé:Roselaine,Mauro(meu irmão)não consegui lembrar do nome do garoto ao lado dele e Sandrinho que trabalhava com o Kazão.Bons tempos meu amigo Daniel.

Gostaria que você colocasse esta foto no Blog da galera.
Abraço,Silvio Oliveira(Jacaré)"

Que saudades dos tempos da soveteria Badauê na Júlio de Castilhos no Bairro Niterói em Canoas. Ali foi o grande ponto de encontro de nossa turma durante um bom tempo.
E que grata surpresa eu ter recebido esse mail do meu grande amigo Sílvio Jacaré. Parceirão de vários porres e discussões filosóficas sobre a vida, futebol, música, política e outros tantos assuntos que iam ganhando profundidade a medida que as garrafas de cerveja esvaziavam na mesa.
Lembro que um dia tomei um tremendo porre com o Jacaré na Sorveteria e depois fui prá casa cambaleando. No outro dia a Ana (minha esposa) me descreveu com reprovação a cena que protagonizei chegando em casa. Eu tinha ficado alguns minutos tentando acertar o buraco da fechadura da porta da rua enquanto algumas notas de reais amassadas com a metade caindo prá fora do bolso denunciavam a bebedeira.

E essa foto que o Sílvio manda é muito legal . O cara bem a direita parece ser o grande Jerônimo 'Jejê', nosso amigo de longa data...

Valeu
Daniel Elói Pedroso de Oliveira

sábado, 21 de junho de 2008

O Foguete Quase Detonou....

Durante toda minha juventude morei no mesmo lugar: No prédio da Quaraí 83, próximo a BR116, no Bairro Niterói em Canoas. Para os mais antigos o local era conhecido como 'antiga 19' numa referência ao movimentado ponto de ônibus que havia ali. Na verdade esta expressão 'antiga 19' ficou também conhecida para indicar essa região do bairro que era reconhecidamente marcada por brigas, roubos e outros eventos violentos que invariavelmente exigia a presença policial.

Neste cenário, eu e meus irmãos nos criamos e aprendemos a conviver com pessoas de todo tipo, desde aqueles que apesar das imensas dificuldades se dedicavam ao trabalho honesto como também aos que preferiam sustentar-se à margem da lei e cometiam desde delitos leves e até crimes mais graves.

Esta interação com os chamados 'bocas brabas' se dava no dia-a-dia fosse num jogo de futebol, numa conversa na esquina, numa roda de violão ou ainda no balcão da oficina de aparelhos eletrônicos de propriedade de meu pai . Para completar a biodiversidade daquele ambiente havia também os inquilinos das casas de aluguel que meus pais possuíam ao lado e aos fundos de minha residência. Na maioria gente trabalhadora e sofrida, sendo muitos oriundos do interior que vieram para a região metropolitana tentar uma sorte.

Aprendi ao longo deste convívio a ter um certo traquejo ao lidar com pessoas que em algumas situações se mostravam imprevisíveis e violentas. Tinha vezes que uma simples conversa descambava prá ofensa e daí prá porrada, sem falar nas vezes que alguém decidia mostrar a força de uma arma no exercício da retórica.

Mas engana-se quem acha que a ameaça de uma arma por si só implicaria no término de um debate. Não. Eu presenciei uma vez um cara no meio de uma discussão sobre música, futebol ou outra banalidade puxar a arma da cintura, engatilhar e colocar na cara de um outro colega como que dizendo:
--"E aí quem está com a razão agora?"
Naquele momento, embora eu fosse apenas espectador, senti a adrenalina subir e o natural instinto de sobrevivência me exigir que eu me fastasse logo. Mas o sujeito que foi intimidado, o Gordo, ficou sentado ali no meio-fio com a arma engatilhada na testa e,como se a situação estivesse sob controle continuou sustentando o seu ponto de vista no debate e ainda por cima provocou:
--" Se tu vai puxar essa merda atira duma vez."
O cara que sacara a arma, deu um sorriso e guardou-a. Até hoje eu me pergunto, se aquele gesto do Gordo era coragem ou certa banalização do valor da própria vida.

Como este acontecimento, presenciei vários outros que hoje reconheço, ao longo do tempo desenvolveram um mim um certo grau de vigilância que até hoje suscita brincadeiras dos amigos.

Quando mais tarde quando passei a estudar no Colégio São Paulo, escola particular, ampliei meu círculo de amizades passando a integrar uma turma de mesmo nível econômico e familiar que o meu. Nas festinhas que freqüentávamos, devido a minha experiência no tal 'ambiente hostil' já citado, eu era aquele que sempre alertava quando uma briga ou confusão estava na iminência de acontecer. Além deste 'sexto sentido' que nos livrou de algumas enrascadas justamente por ter nos dado uma certa dianteira na hora de correr, a minha residência, na rua Quaraí, me dava uma outra vantagem que na época fez uma grande diferença: Eu contava com algumas amizades que freqüentemente eram acionadas para me garantir a segurança fosse na saída da colégio ou de alguma festa. Analisando hoje, quando décadas já se passaram vejo que em alguns momentos exagerei na utilização de minha 'guarda particular'. Sobretudo porque 'comprei' algumas brigas que nem eram minhas.

Uma vez , no colégio um cara bateu no meu amigo Miltinho. Quando eu soube eu fui lá e dei um soco na cara do sujeito, sem nem ouvir a versão dele prá briga. Na seqüência, o tal cara arrumou uns amigos prá me pegar na saída do colégio. Consegui fugir no primeiro dia e como eu sabia que eles não iriam desistir, resolvi atacar. Peguei uns camaradas lá da Quaraí, se não me engano o Frega, o Muminha e uns outros e fomos até um bar onde os inimigos jogavam snooker, há algumas quadras do colégio.

O Frega entrou no bar e já foi provocando, não quis nem saber: pegou as bolas e foi colocando nas caçapas no meio do jogo dos caras. O primeiro que perguntou o que era aquilo levou uns tapas dele e do Muminha. Os outros se intimidaram e ficaram quietos.

Aí o Frega anunciou que se alguém se metesse comigo outra vez eles voltariam ali e bateriam em todos. Na saída ele ainda puxou um 'Chaco' da cintura, fez algumas evoluções desajeitadas enquanto mantinha no rosto um careta de mau.

Saí dali aliviado. De fato nunca mais vi aqueles caras nas imediações da escola.

Outra vez estávamos eu e meus amigos Nando e Beto caminhando pela Venâncio Aires, em direção à minha casa na Quaraí quando, ao passar pela frente de um bar uns caras gritaram:

--Porque que tão olhando seus 'vasilhas'?

Na época, a referência ao utensílio doméstico era o mesmo que chamar alguém de 'viado', ou seja, os caras nos ofenderam de graça e não poderíamos retrucar pois além de serem em maior número eram uma 'rafa' conhecida ali das imediações.

Ficamos quietos e seguimos nosso caminho.

Quando cheguei próximo a minha casa encontrei o Foguete (leia-se FUguete), um camarada ali da Quaraí que além de forte era bom de briga. Sobre este cara haviam histórias de briga que eram contadas por vários conhecidos ali da rua. Ele mesmo vivia contando as confusões em que batia nuns 3 ou 4. Relatos esses que sempre eram confirmados por outros que estavam na roda, o que não garante a veracidade pois desconfio que muitos tinham era medo de contestá-lo.

Contei então pro Foguete o que tinha acontecido e ele logo se prontificou a ir até o bar:

-- Eu vou lá e vocês me mostram os caras...

Concordamos pois o sangue ainda estava quente por termos sidos ofendidos sem termos feito nada que justificasse aquela provocação.
Quando chegamos no bar, o Foguete parou na frente da porta e perguntou:

-- São esses aí?

Antes que eu respondesse uns dois ou três já foram saindo e indo embora devagar pois conheciam o meu amigo e provavelmente a lenda que três ou quatro eram pouco prá ele.

Demorei um pouco prá responder pois já estava até com pena dos sujeitos. Mas também não podia deixar de indicar alguém pois nas próximas vezes o Foguete não se disporia a me ajudar.

Respirei fundo e falei:

--Aquele alemão ali...

Os mais corajosos que haviam sobrado no interior do bar perceberam a deixa prá se evadirem do local: Não era com eles, o alemão que se virasse.

De fato o cara que eu apontei foi o que tinha nos provocado.

O Foguete então avançou prá cima dele. Enquanto caminhava ele ia sacando um trezoitão prateado que estava escondido na cintura. Ato contínuo, ele colocou o canhão no rosto no alemão e falou:

-- Porque tu provocou o meu primo?

O coitado do sujeito se encolheu todo colocando as mãos entre a arma e sua cara de apavorado:

-- Pelo amor de Deus Foguete, não atira... Eu falei brincando, eu conheço o cara e até já fui na
casa dele. Eu estudei com o irmão dele...

Tanto eu quanto o Nando e o Beto ficamos totalmente surpresos pois não sabíamos que o Foguete estava armado. Imagina se ele atira no cara agora, nós vamos entrar numa fria sem tamanho... Que eu conhecia esse alemão até que era verdade, ele era um conhecido ladrãozinho das redondezas. Quanto a ele já ter ido na minha casa, bem, resolvi não contestar porque a situação estava prá lá de tensa. Vai que o Foguete dispara aquele troço... Já estava até me arrependendo de ter reclamado da provocação pro Foguete quando ele falou pro cara:

-- Então tu nunca mais faz isso. Porque se tu fizer eu te detono...

Depois disso, colocou de novo o trabuco na cintura, puxou a camisa por cima prá esconder a arma e ainda me perguntou:

-- Quer dar umas porradas nele?

Eu disse que estava satisfeito. Foguete fez um gesto com a cabeça nos convidando a ir embora. Ainda dei uma olhada prá trás e vi o alemão na mesma posição com os olhos fechados de pavor, todo encolhido com as mãos frente ao rosto colado na parede do bar.

Alguns anos depois eu soube que Foguete tinha sido assassinado a tiros.

domingo, 16 de março de 2008

Basquete no Colégio São Paulo Anos 80

A foto acima foi enviada pelo amigo Belcino para acabar de vez com as dúvidas de quem eram os camaradas que estão na foto abaixo. Na foto acima então estão de pé (da esquerda para direita): Joní(??), Nando, Arlei, Téio, Nato (na sombra), Janjão e Elton. Agachados: Kíki (com a bola) , Telo e Eu (Daniel).



Esta foto eu peguei emprestada do Orkut do nosso amigo Belcino Cunha. Tive que colocá-la aqui. É uma foto realmente emblemática porque representa a época em que nos divertíamos muito, especialmente nos sábados à tarde, jogando basquete nas canchas de esporte do Colégio São Paulo (Bairro Niterói, Canoas RS).

Na foto vou tentar identificar alguns, embora minha memória possa cometer algum erro.

Da esquerda para a direita de pé: Belcino, Arlei (Boca), Elton, Janjão, (este eu não sei) e Kíki de testeira e camiseta branca.

Agachados estão: Nato (?), Daniel (Eu, com a bola), Telo e Nando (com o skate).Agora acho que está certo (corrigido conforme consenso debatido por e-mail ) .


Que saudade desse tempo em que uma das maiores preocupações era se teríamos gente suficiente prá montarmos 2 times e jogar por algumas horas...


Lembro que ao final desses jogos de basquete no colégio das irmãs nas tardes de sábado já começávamos a combinar como seria a festa à noite. Era frequente alguém saber de alguma festa que iria rolar e avisar a turma.

Nem precisava que alguém fosse convidado. Algumas das lembranças mais engraçadas que tenho dessa época são de festas que entramos de penetra (ou tentamos entrar).

Como naquela vez no salão paroquial da igreja São Paulo que fomos chegando na manha perto das churrasqueiras até que um cara falou:


-" O que vocês estão esperando? Vão lá servir a carne..." e nos passou um bandeja de carne assada que foi devidamente desviada para a praça Dona Mocinha e compartilhada entre os camaradas....

Ou quando eu e o Beto entramos num aniversário também no mesmo Salão Paroquial na maior cara dura.

Lá pelas tantas os olhares dos convidados começaram a se dirigir inquisitoriamente para nossas ilustres presenças.

Foi então que montaram uma espécie de comissão e vieram nos interpelar:

"-- Tão dizendo que vocês não foram convidados..." disse o porta-voz da tal comissão.

E eu:

"-- Na verdade meu primo Almiro foi convidado e não chegou ainda."

Não deixava de ser uma meia-verdade pois Almiro (no caso o nosso saudoso amigo Nenê) tinha sido mesmo convidado conforme nos falou. Mas ele não sei porque não viria na festa mesmo. E isso também não tinha nada a ver porque quem estavam ali era eu e o beto, de olho nos salgadinhos sobre a mesa.

Pois aí o tal "porta-voz" voltou pro grupinho de inquisidores e começou a confabular com o semblante cada vez mais sério.

Eu olhei pro alemão Beto e ele já tava não era nem vermelho, mas roxo de vergonha.

Sentindo que a nossa batata tava quase assada, eu propus pro Beto:

--"Aeh, meu vâmo sair fora." e comecei a dar de mão nuns salgadinhos e por nos bolsos.

Enquanto isso o cara voltou e mandou a gente se retirar.

Com os bolsos cheios de salgadinhos fomos saindo meio a contragosto abandonando a festa...


Nem sei direito porque emendei a histórias das tardes de basquete com as vezes que entramos de penetra nas festas.

O fato é que toda vez que alguma lembrança vêm desse passado tão nostálgico, outras histórias vêm junto, fragmentadas, e transcrevo-as aqui assim mesmo, do jeito que me visitam o pensamento...

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Ontem (sábado, 15 de março 2008) nos encontramos no Bar do Amadeo. Estávamos EU, NAto, Álvaro e Vinicius. Depois de algum tempo fomos prá pizzaria defronte o Barzão (na Dr Barcelos, Canoas). Lá estávamos eu e o Nato tomando umas cevas e surgiram: Vinicius, Spiss (sei lá se é assim que se escreve) e o Belcino.

Depois de um papo cabeça que envolveu arte moderna, surrealismo, pontilhismo, impressionismo, museus de Londres, Louvre, Van Gogh, Pollock, Gauguin, séries de TV, Lost, CSI, etc, eu tive que me despedir e ir prá casa.

Eles, certamente atravessaram a rua na sequência e foram pro Barzão.

Quem souber o que aconteceu depois, comenta aqui...

Abração

Daniel

segunda-feira, 10 de março de 2008

Encontro da Galera com Futebol

Sexta-feira passada saiu mais uma vez o esperado encontro futebolístico da nossa turma.
A opinião de todos que estavam lá foi unânime: show de bola, no sentido literal e figurativo da expressão.
Desta vez optamos por não fazer um grenal. Embora tenhamos usado coletes azuis de um lado e vermelho do outro. E aqui vai uma pequena provocação aos colorados: o lado azul venceu por 9 X 8.
Brincadeira à parte o que valeu mesmo foi a presença, a confraternização, a amizade, a cervejada e mais um agradável encontro de amigos.
Vou arriscar a citar alguns presentes: Toninho (sim, ele compareceu apesar de toda a dificuldade de locomoção), Gladimir (Bode), Daison (Alemão), Léo . Este foi o time que eu vi que estava jogando 'na copa', assistindo a partida que rolou.
No futebol vou tentar lembrar das cabeças:
Depois de uma disputa de par ou ímpar entre eu (Daniel) e o Nando os times ficaram assim:

Time Vermelho:
Nando (Goleiro), Beto, João Maurício, Zaca, Vinicius, O mestre de Yoga amigo do Vinicius (desculpem não lembro o nome), Hiller (alemão de São Léo), Luke (Tatoo)

O time Azul:
Rafael (Goleiro),Daniel,Arlei (Boca), Jairinho, Belcino, Nato, João Batista (meu sobrinho), Leonardo (filho do Nando).
Depois o Luke jogou de goleiro nos azuis e o rafael passou pros Vermelhos.
Depois de uma goleada que parecia inevitável (virou uns 8 X 3) pros azuis. Os vermelhos reagiram e chegaram a empatar. Mas no fim fechou 9 X 8 pros azuis.

Grande abraço a todos e até a próxima, já que meu escasso tempo acabou....
Postarei os vídeos e fotos aqui assim que puder....

terça-feira, 4 de março de 2008

Futebol e Churrasco na Sexta 07/03/08



Na próxima Sexta-feira tem futebol e na sequência churrasco na quadra do amigo Valdir. Mais uma oportunidade para confraternizar com os amigos, comer uma boa carne e beber aquela cervejinha esperta.
Nas fotos acima, um dos encontros tradicionais, este foi no condomínio onde mora o João Maurício ( e o Marcão) perto do colégio Cristo Redentor.
Então tá... Todo mundo lá na quadra do Valdir na sexta....

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Canja com Amigos no Café do Lago em Porto Alegre

Quero contar a grande satisfação que tive ontem à noite quando participei de uma canja no Bar Café do Lago no Parque da Redenção em Porto Alegre.
Fui até lá na companhia de meu compadre Jorginho assistir o show dos amigos Ayrton Zeterman (baixista) e Cristiano Forte (baterista) que estavam com uma banda interessantíssima tocando música brasileira com uma pegada bem jazz. Logo de cara depois de cumprimentar os amigos no palco acenando à distância, o cantor (infelizmente não recordo o nome, quem souber poste aqui please) já anunciou que depois teria uma 'canja' com Jorginho e Daniel. Antes de subirmos ao palco assistimos uma interessantíssima performance daquele grupo formado de excelentes músicos. Ayrton Zeterman cada vez mais genial no baixo de seis cordas. Difícil definir a intimidade que o cara tem com o instrumento. Cristiano Forte também não deixou por menos, embora depois ele me confessasse que foi absolutamente tudo improvisado sem nenhum ensaio, ele mandou muito bem na bateria. Um guitarrista chamado Jeferson, que eu não conhecia, fazia interessantes harmonias e solos jazzísticos que davam um colorido ainda mais especial ao quarteto. O cara que cantava e tocava violão (e que esqueci imperdoavelmente o nome) era além de carismático também muito bom.
Aí eles fizeram um intervalo, e na volta deram espaço pra canja. Primeiro subiu no palco um saxofonista chamado Rafael, que eu não conhecia. O músico fez alguns improvisos muito legais em alguns temas instrumentais onde rolou também improvisações de baixo, guitarra e bateria numa performance coletiva e individual de tirar o fôlego de quem aprecia boa música.
Logo em seguida o cantor anuncia que eu (Daniel Oliveira) e Jorginho (Jorge Pereira) daríamos uma canja. Subimos ao palco com a descontração de estar entre amigos e tocamos 'Contra a Solidão' com a participação de Ayrton Zeterman no baixo, Cristiano Forte na bateria, Jeferson (guitarra), Rafael (sax). Sensacional. O arranjo foi criado ali na hora, sem nenhum ensaio, na base do improviso e da experiência dos músicos que estavam no palco.
O Jorginho mais uma vez numa performance emocionante, soltou a voz e emocionou a platéia presente.
No final da apresentação me senti realmente gratificado de ter tido mais uma vez a oportunidade de dividir o palco com esses tão talentosos músicos e amigos. As coisas são assim na vida, quando menos se espera acontecem ocasiões em que a providência divina nos brinda com a oportunidade de participarmos de algo mágico e inesquecível, assim de repente, numa noite de quinta-feira.

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Poema a Quatro Mãos

O poema abaixo foi escrito na mesa do Barzão, em Canoas RS no sábado à noite. O motivo foi uma necessaire que um amigo achou caída na rua.
Na pequena bolsa continha alguns objetos mas nenhum que pudesse identificar a dona da mesma.
Começamos a divagar sobre a identidade, profissão, etc da pessoa que perdeu a referida necessaire.
Lá pelas tantas o Belcino teve a idéia de escrevermos um poema que refletisse um pouco as questões levantadas sobre o objeto encontrado.
O resultado está abaixo: um texto excrito a quatro mãos.
Na ordem: Belcino, Álvaro, Daniel e Nato
Valeu
Daniel

Uma caneta perdida, quatro mãos e um guardanapo.
Barzão, 24/11/2007

A tinta que escorre
Não sei de onde vem
achei-a perdida
e a fiz de refém

Na noite que urde
E me faz divagar
Que a dor de uma perda
Embora a perceba
Não sei soletrar

Perder matéria não é nada
Problema é não sentir nada
Por um minuto lá
Eu me perdi
Posso ser sua desculpa
Culpa da sua renúncia!

Naufragado nas profundezas
Do objeto do enigma
Emergi no teu mundo
Sugeri minha história

Rapidamente as sutilezas
Me imputaram um estigma
De um labor meio imundo
De um viver na escória

Com a responsabilidade
De cuidar de uma tinta escorrida
Que virou um refém,
Iria me fazer de rogado.
Mas confesso: não ficaria bem.
Uma coisa é certa:
Essa renúncia me causaria angústia.
Poderia usar de subterfúgios, fugas e astúcia.
Porém por estar em companhia de amigos,
Um de agora, outros de tempos idos,
Pensei em heróis, mocinhos e bandidos.
E como mesmo assim me surgisse uma história
Que emergisse das profundezas,
Apelei pro banal;
Para o exterior;
O trivial.
Então, na iminência de fugir da missão
Pensei num meio, um medium em ação.
E tal como um salto súbito, feito um "mosh"
Olhei pra minha mão direita e achei o mesmo:
Uma caneta Bosch.

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Panta, Jorginho, Maestro Tiago Flores e quarteto de Cordas no Abbey

Na sexta-feira passada foi a segunda apresentação do PANTA com o show Bandas Inglesas no Abbey Road Studio bar em Porto Alegre.

O show teve a participação do maestro Tiago Flores com um quarteto de cordas da Orquestra da Ulbra. Além disso teve a participação do nosso grande amigo (e meu cumpadre) o tenor Jorge Pereira (Jorginho) cantando a parte do Pavarotti na música Miss Sarajevo.

Mais uma vez sensacional. Com direito a bis e tudo foi um momento realmente emocionante do show do Panta. Prá nós amigos então foi algo de arrepiar pois acompanhamos toda a trajetória do Jorginho desde os tempos em que ele iniciou a cantar. Agora ele mostra uma maturidade na voz e na técnica que evidencia os anos de estudo e preparação que ele tem dedicado à música nesses anos todos em que ele deixou o Rio Grande do Sul e foi morar no Rio de janeiro.

Esta foto eu tirei lá de cima do mezanino do Abbey. Ficou bem escura porque à distância o flash piora ainda mais...

Prá mim é particularmente gratificante constatar o elevado nivel em que está o nosso amigo Jorginho. Principalmente porque foi comigo que ele iniciou sua trajetória musical, numa época em que tocávamos em tudo quanto era canto. De bares fazendo um duo de violão e voz, passando por galerias, festivais e concertos de rock com a banda Habeas Almas. Saudades daqueles tempos. Mas quem sabe logo vem algum novo projeto musical por aí...?

Eu tive a oportunidade de assistir às duas apresentações em que houveram as enriquecedoras participações do maestro Flores, do quarteto de cordas e do nosso amigo Jorginho. O show do Panta está realmente muito bom. Mesclando canções próprias com interpretações de clássicos do pop inglês, ele entusiasma a platéia com sua voz vigorosa e aguçada sensibilidade musical.

Agora de contrato assinado com a Som Livre a carreira do Panta tende a decolar. Talento ele tem de sobra.

Quanto às fotos do show, lamento informar que minha máquina digital (como a maioria das digitais baratas que tem por aí) é péssima prá fotos com pouca luminosidade. Por isso o que acontece na maioria das vezes é ter que apontar pra uma direção e rezar para que tudo corra bem. E foi o que aconteceu. Uma moça estava com a cabeça na frente e terminou atrapalhando algumas das fotos que tirei do show posicionado no meio da platéia. Isso explica porque tive que tirar um pedaço da foto que encabeça este post.

Também estou colocando este pequeno áudio que gravei no meio da galera e que serve prá ter uma idéia da interpretação da música Miss Sarajevo com o Jorginho fazendo a parte do Pavarotti. Baixe o ÁUDIO AQUI
PS:Tudo bem, eu sei que este post está com um atraso de uma semana visto que hoje é sexta-feira de novo. Mas somente agora sobrou algum tempo pra tentar rapidamente postar.

Algumas Notícias do Mundo do Rock

A partir de hoje começo a inserir junto com as atualizações relacionadas a nossa turma algumas notícias do mundo do rock.
A idéia é ir tornando mais dinâmico e atualizado este espaço trazendo informações, curiosidades e um pouco da história do velho e bom rock and roll.

Quando o tema for curiosidades do mundo da música vou postar qualquer coisa interessante que eu encontre por aí e que ache que valha a pena ler. Acho que com isso vou conseguir direcionar mais tráfego prá cá e consequentemente divulgar ainda mais as histórias de nossa turma.

Valeu
Daniel Elói Pedroso de Oliveira

domingo, 7 de outubro de 2007

Showzaço no Abbey Road Studio Bar

Sexta-feira última assistimos dois shows excelentes no Abbey Road Studio bar em porto Alegre.
No palco, Panta e um baterista passearam por covers de U2, Damien Rice e algumas composições próprias. Foi um dos melhores shows do Panta que eu já assisti. Ele realmente estava numa noite inspiradíssima e esbanjou talento com sua voz.
O show do Panta que já estava excelente ficou melhor ainda quando subiu ao palco o grande trumpetista Jorginho do Trumpete. Com improvisos de muito feeling o instrumentista mostrou que estava totalmente em sintonia com os outros dois músicos protagonizando momentos emocionantes.

A noite começou com o show de abertura por conta da americana Jennifer Nichols que, acompanhada apenas de seu violão, tocou clássicos do folk, blues e country além de algumas canções pops. No repertório Cranberies, Eagles, Janis Joplin entre outros. Uma voz estupenda aliados a muito carisma. A moça mandou ver contagiando todos que estavam presentes. Show de bola. Prá mim dois momentos mágicos de sua apresentação foram os covers de "Me and Bob McGee" e "Mercedes Benz" classicos imortalizados na voz de Janis Joplin que foram adaptados e interpretados com muito talento pela cantora Jennifer.


Assim que eu receber as fotos deste show eu publico aqui.


Na próxima semana parece que o show do Panta vai ser na quinta-feira no Abbey Road. Segundo estou sabendo haverá participações especiais.

Update em 02/11/2007: O show comentado neste post não foi o que o Jorge Pereira (meu amigo e cumpadre Jorginho) participou. O Show PANTA interpretando Bandas Inglesas com participações especiais com o Maestro Tiago Flores, quarteto de cordas da Ulbra e tenor Jorge Pereira são contadas NESTE POST

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

GRENAL - Turma do Rock Parte 2 - O Churrasco de Confraternização



Aeh pessoal, coloquei mais um videozinho do GRENAL da nossa turma. Filmei um pouco o churrasco que teve logo depois da partida. inseri algumas fotos também e uma trilhazinha do Bob Dylan (Like a Rolling Stone) de fundo.

terça-feira, 25 de setembro de 2007

GRENAL da Nossa Turma - O Importante é a Amizade




Bem pessoal, finalmente consegui terminar essa ediçãozinha em vídeo do GRENAL da Nossa Turma que rolou no Campus da ULBRA em Agosto de 2007.
Como o recurso de video estava bastante precário foi bastante complicado de editar. No total tinham 9 minutos de gravação que reduzi prá 5 min prá poder postar no Youtube sem problemas. Filmado na minha câmera fotográfica Aiptek, o jogo teve como árbitro o nosso amigo Gladimir, que apesar de apitar enrolado com a camisa do Internacional se esforçou pra fazer uma arbitragem imparcial.

Os destaques do jogo no vídeo estão restritos ao primeiro tempo pois foi o que deu pro Bruno filho do jairo filmar. A câmera começou a acusar falta de bateria e o segundo tempo não foi filmado.

Comentem aqui o que vocês acharam do jogo, do placar, dos lances, enfim manifestem-se.

Prá mim estão todos de parabéns, pois apesar da notória falta de forma de muitos a correria foi grande e como dá prá notar no vídeo o jogo estava bem movimentado.

O video mostra alguns lances muito interessantes e alguns piorescos ocorridos no primeiro tempo. Destaque para o vôo do Luke no comecinho do jogo, ficando preso na cerca. Isso mostra que ao contrário das críticas, os 'enxertos' colorados no time gremista desempenharam com dignidade o seu papel. O Léo foi um dos responsáveis pela grande reação gremista (na base da raça prá variar) pois incentivou o tempo todo mesmo quando o placar estava totalmente adverso.O Luke se esforçou bastante e fez algumas jogadas muito legais.

Foi uma pena o Daison não ter podido jogar pois organizou tudo, e inclusive ainda não nos cobrou o churrasco e o chopp.

Não vou comentar o desempenho de cada um pois no geral foi acima da expectativa. A maioria está fora de forma mas apesar disso todos se esforçaram resultando num bom jogo.

Vou citar um destaque: O Kíki me surpreendeu. Apesar do incrível gol perdido sem goleiro, em outra oportunidade ele marcou. Teve um bom um desempenho no restante da partida atuando do meio de campo para o ataque.

O primeiro gol dos vermelhos foi uma tabela entre o Nato e o Jairinho no lado direito do ataque colorado. Muito legal: O Jairo recebe do zagueiro e diante da marcação do Gabriel ele passa pro Nato que devolve em um toque. É o chamado Overlaping ou o 'Toco e me voy' dos argentinos.
Na sequência o Jairo passa a bola em diagonal pro Nato que acerta o canto na saída do goleiro (eu). Tá no vídeo.

A partida teve outros gols e lances muito legais no segundo tempo, inclusive com um golaçõ do jairo do meio da rua, outros gols bonitos do Glênio e o meu gol de cabeça aparando um cruzamento do João Maurício.
No final ficou a expectativa de quando será a próxima confraternização futebolística reunindo esses novos e velhos amigos de sempre.

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Na época da Banda Habeas Almas



Já que o Marcelo falou do HABEAS ALMAS, vai aí uma foto prá matar a saudade. Este foi um show no auditório do La Salle (hoje universidade) no centro de Canoas/RS. Final dos anos 80 acho. Da esquerda para direita: Daniel Elói Oliveira (eu) na guitarra, Jorginho (vocal), Alfeu (bateria, ao fundo), Roberto Santamaria (baixo), Marcelo Santos (guitarra), ainda tinha o Sérgio Gomes nos teclados que não aparece na foto.
Na época a banda chegou a ter as músicas "Contra a Solidão", "Sons da Noite" e "Farol" rodando direto diariamente na FELUSP FM, hoje Pop Rock FM.

Ainda Sobre o Rock Desconcert de Carazinho RS
Muito boa lembrança, Marcelo. Já tinha esquecido de muitos destes detalhes sobre esta nossa ' tour' por Carazinho em 1986.
Prá complementar gostaria de contar o que aconteceu depois que vocês foram embora.
Eu e o Alfeu acordamos atrasados. Corremos até a rodoviária mas o ônibus já tinha partido. E nós com as passagens nas mãos...
Aí pegamos um taxi e fomos atrás do ônibus, pois segundo o taxista era possível alcançá-lo. E de fato conseguimos, o motora emparelhou o taxi ao lado do ônibus enquanto fazíamos sinal para ele parar.
O motorista do ônibus ficava olhando surpreso e não entendia o que queríamos com os braços sacudindo feito uns loucos na janela do taxi, que corria bastante.
Aí abanamos com as passagens e o ônibus finalmente parou. Subimos e descobrimos que os nossos lugares já haviam sido ocupados. Outra viagem de pé no corredor. Depois de algumas horas algumas pessoas desceram e conseguimos finalmente sentar e descansar.
Ainda sobre o show que fizemos, lembro que fui prá frente do palco e uma garota me puxou pela bainha da calça e perguntou (gritando, devido ao volume do som):
-- Onde vocês estão hospedados?
Aí eu respondi, meio sem pensar:
-- Na casa do Zé Bombeiro!!
A guria ficou meio sem entender nada. E até acho que ela pensou que eu estivesse tirando sarro da cara dela...
Valeu...



Carnaval em Laguna - Anos 80



CARNAVAL EM LAGUNA


Pois outra viagem inesquecível foi quando fomos eu, o Marcão (Marcos Wallauer) e o Divino (Ângelo Divino) prá curtir o Carnaval em Laguna. A sequência de acontecimentos inusitados já começou na viagem de ida. Eu fui de carona numa carreta. Os dois parceiros conseguiram carona na free-way numa época em que ainda se costumava fazer isso. Hoje se você parar ali prá pedir carona,ou é assaltado ou é preso.
Vou perguntar pro Marcão informações e detalhes de como foi a viagem de ida deles. Depois posto aqui.
De minha parte, fui de caminhão a contragosto do motorista. Ele não tava nem um pouco a fim de dar carona e só o fez porque alguém da empresa que ele trabalhava, que era meu amigo, lhe solicitou que me levasse.
Passei momentos de apreensão naquela carreta carregada de barras de ferro,o cara sentava o sarrafo e cometia imprudências de apavorar. Fazia ultrapassagens múltiplas, e quando a coisa encrespava ele tocava por cima dos carros que estava ultrapassando forçando-os a ir pro acostamento se não quisessem engrossar as estatísticas de trânsito.
Finalmente paramos num posto na entrada de Criciúma que conforme o combinado era até onde eu iria naquela carona. Acho que tanto eu quanto ele demos graças a Deus. Eu pelo medo de acompanhar aquele demente e ele porque nas outras paradas que fizemos bebia só leite. Isso mesmo,reparei que o cara ficava encarando as garrafas de bebida em cada lancheria que parávamos, noentanto não tomou nada porque temia que eu o entregasse na empresa na qual ele trabalhava.
Saí do posto e fui prá estrada tentar uma carona. Depois de algum tempo caminhando no sol, naquele mormaço de verão, nada de carona, eu comecei a ficar bastante desanimado. Naquele fim de mundo, já com fome e ninguém nem sequer fazia menção de parar. Até que a sorte pareceu mudar.
Um cara com um Fiat Fiorino parou subitamente e ofereceu carona. Logo que sentei, depois de ter colocado o violão e a mochila na parte traseira do veículo,percebi que havia alguma coisa errada com aquele cara. Era um sujeito de uns 40 anos, meio alemão, com barba de alguns dias e cabelo desalinhado. Além disso era cheio de tiques e falava sem parar,meneando a cabeça prá os lados como se tivesse que olhar prá todos os espelhos simultaneamente. Pior do que os trejeitos esquisitos era também a tendência a pesar o pé no acelerador. E também adepto das mesmas ultrapassagens suicidas do motorista da carreta que tinha me trazido até ali.
Caiu-me a ficha que o cara tava chapado quando ele falou o seguinte:
-- Meu, tu é cabeludo,tu toca uma viola, então tu também fuma um...
Antes que eu falasse qualquer coisa, ele abriu o porta luvas da Fiorino e caiu caixas de comprimidos, ampolas, e outras porcarias que a julgar pela forma como estavam embaladas também eram drogas. O cara puxou um meio tijolo de erva e em segundos,enquanto dirigia em alta velocidade com um dos dedos mindinhos da mão, esmurrugando alguns torrões, e sem parar de olhar pros espelhos, fechou um baseado.
Virou prá mim e perguntou:
-- Aí, vai?
Eu disse que não e ele foi um bom trecho fumando o bagulho e costurando entre os demais carros na pista.
Quando chegamos perto da entrada prá Laguna eu falei:
-- É aqui.
E o cara não diminuiu a velocidade,se limitou a dizer:
-- Não. É mais adiante...
Depois de uns três ou quatro quilômetros ele percebeu que de fato tínhamos passado do ponto de parada:
--Meu, viajei era lá mesmo, tu não te importa de voltar a pé...
--Claro que não. --Respondi.
De fato encarar outra pernada no sol era melhor que me arriscar com aquele maluco.
Andei,andei e logo depois chegava na entrada prá Laguna. Eu sabia que não iria dar prá encarar a pé até o centro da cidade. Então comecei a pedir acarona de novo. Logo adiante encontrei uma blitz policial. Pensei rápido e vi que poderia tirar algum procveito da situação. Um dos carros que estavam parados era um Fiat Prêmio, praticamente zerado, (não vamos nos esquecer que lá se vão alguns anos), e que nem emplacado estava ainda.
Vi que o policial olhava os documentos do carro e fazia perguntas pro motorista. O cara dava explicações e parecia estar preocupado. Eu cheguei,pedi licença ao policial e perguntei pro cara:
-- O senhor me consegue uma carona?
O cara não sabia o que responder,pois estava na dúvida se o policial iria o liberar logo.
Então prá minha surpresa, o policial perguntou:
-- Tu vai levar ele?
E o cara:
-- Vou.
Então eu já fui abrindo a porta, colocando as minhas coisas no banco de trás e me instalando no banco da frente.
Assim que eu me instalei o policial devolveu os papéis pro cara e disse prá ele seguir. Fechou todas. Prá mim pela carona e pro cara do Fiat parece que também pois já tava todo suado e logo depois de arrancar deu um profundo suspiro.
Cheguei na centro. Depois de algumas caminhadas encontreium outro maluco que eu tinha conhecido nas andanças que costumávamos fazer no bairro Bom Fim em Porto Alegre. Se não me falha a memória o nome dele era Luiz. Apesar dele viajar prá caramba era muito boa gente. Me ofereceu até a barraca dele prá dormir, convite que eu recusei porque provavelmente o Divino e o Marcão trariam uma barraca onde ficaríamos.
Acho que foi depois de algumas horas que encontrei os dois caminhando por Laguna. Qual foi a nossa surpresa ao percebermos que nenhum de nós três tínhamos trazido barraca. Na verdade os dois tinham já passado uma noite ali dormindo ao relento num camping gratuíto.
O Marcão conta que quando acordaram de manhã apenas enrolados num cobertor e, diante da surpresa das pessoas das outras barracas em volta, o Divino teria dito:
--Acorda,Marcão, roubaram a nossa barraca!
Deram uma disfarçada e se evadiram do local.


CARNAVAL EM LAGUNA (parte 2)
Logo chegou a noite e o problema de ter onde dormir aumentou de proporção. Principalmente no meu caso pois o cansaço da viagem tinha me deixado pregado. Prá piorar a situação, não encontrei mais o maluco que tinha oferecido a barraca.
Depois de algumas horas vagando pelos bares de Laguna, e de alguns litros de cerveja, decidimos dormir nas dunas da beira da praia mesmo.
Deitamos na areia os três um do lado do outro. Olhei pro Divino e vi que ele ajeitou até um travesseiro feito de areia, e logo adormeceu com as duas mãos unidas enterradas sob 'travesseiro' ecológico.O semblante era de quem estava no conforto da própria cama de casa.
De tão cansado peguei no sono logo e acordei um pouco depois quando uns pingos de chuva começaram a pipocar no meu rosto. Não acreditei...
Começou a cair uns pingos grossos que nos forçou a bater em retirada do hotel relento.
Chegamos num bar e prá conseguir ficar numa mesa, pedimos mais uma cerveja. Enquanto a tomávamos em silêncio, pois o desânimo e o sono tinham tirado a disposição pra qualquer coisa, percebi que algumas pessoas olhavam pra nós, cochichavam entre si e riam.
Comecei a me encabritar. Do que esse pessoal está achando graça? Olhei pra cada um de nós tentando identificar alguma coisa errada e nada.
Foi aí que o Divino se virou pra pedir outra cerveja e eu vi que a orelha dele estava tapada de areia. O cabelo todo dele naquele lado da cabeça na verdade tinha areia, parecia um beduíno recém chegado do saara. Mas o que chamava a atenção mesmo à distância era a orelha completamente cheia de areia.
Avisei o Divino tentando ser o mais discreto possível, se é que aquela situação vexatória permitisse alguma discrição. Ele se inclinou um pouco e bateu com a palma da mão no lado oposto da cabeça fazendo o tampão de areia se despreender da orelha e se acumular sobre a mesa. O montinho de areia que se formou entre os copos foi a gota d’água pra que começássemos a rir convulsivamente...


Nessa parte 3 do Carnaval em Laguna, tenho primeiro que dizer que parece que encontraram o Divino e ele tá trabalhando numa loja de brinquedos no Rua da Praia Shoping, qualquer hora vou ver se encontro a figura.
Tenho que também fazer um flashback e contar a versão que o Marcão (Marcos Wallauer) me enviou para alguns detalhes que eu já havia contado:
"Isso aconteceu foi em meados de 82 ou 83.Lembro de combinarmos de ir pra Laguna no Carnaval, eu, o Daniel, Divino, Jorginho? (acho q tinha mais gente), lembro também de inventarmos isso num xis na Júlio de Castilhos em Niterói (Canoas RS).
Bom, Eu (Marcão) e o Divino fomos pra freeway pedir carona, pois não tínhamos grana pro ônibus (alias tinha é que sobrar grana prás festas). Alguém ficou de levar a barraca (acho q foi o Jorginho). O Divino levou a panela e um liquinho."
Pausa. Como falei antes, isso explica o porquê das noites ao relento: ninguém levou barraca.
"A primeira carona foi com um velhinho numa kombi cheia de cachorro e galinha, ele tava com o filho pequeno, nos amontoamos junto com os bichos e fomos saboreando um cantil de cachaça com butiá que o Divino tinha preparado. O véio da kombi perguntou o que a gente tava tomando e demos o cantil pra ele, o qual voltou quase vazio."
A kombi nos largou na entrada de Osório pra Tramandai, desci da kombi já esticando a mão, parou uma marajó. O Divino tava ainda se amarrando conversando com o véio da kombi. Era uma mulher. Tinha mais um louco pedindo carona e ofereci pra ele (coisa de parceria de caroneiro). Fomos, eu, o Divino e esse cara.
Saltamos na entrada de Laguna, o cara e a mulher seguiram viagem.
Entramos num boteco de beira de estrada aonde começamos a "fabricar a turbina" que ia nos acompanhar o carnaval inteiro, era uma mistura de Martini, com Fanta e vodka. Colocamos numa garrafa de água mineral e fomos bicando.
Depois voltamos prá estrada prá pedir carona, desta vez tava mais difícil e ainda faltava uns 12 km ate Laguna. Já era noite quando espichei o braço e o veículo parou... era um ônibus. Seguimos até Laguna. (pagando passagem claro)."
Segue a descrição do Marcão:
"Chegando em Laguna o fervo era grande, ruas cheias de gente, lembro que passei numa rua e veio uma louca e me lascou um beijo na boca. Fomos andando prá ver se achávamos alguém ou um camping. Acabamos parando debaixo de uma parada de ônibus encostado de um rio. Era noite e resolvemos dormir ali na parada mesmo. Foi quando veio um barco e descarregou um monte de gente, o Divino perguntou pra onde ia, o cara do barco disse que ia pra ilha, perguntamos se tinha onde acampar lá, o cara falou que sim, lá fomos nós.
Chegando lá, devido a quantidade de sangue na corrente alcóolica, capotamos na grama se tapando com um lençol.
A manhã chegou e tava cheio de barulho, meti a cara pra fora do lençol e foi aquilo: A gente tava no meio de um monte de barraca com gente pra tudo que é lado.
Ouvi uns comentários de gente nos chamando de doido, sei lá, dei umas cotoveladas no Divino e disse que tava cheio de gente nos olhando, o louco murmurou algo e continuou dormindo. Continuei o acotovelando. Aí ele bota a cara pra fora, olha pros lados e berra:
Roubaram nossa barraca", bah eu não queria mais nada, rolava de rir."
Essa parte eu já tinha contado...hehe
"Seguindo a fubanga voltamos pra cidade e fomos num supermercado preparar algo pro rango e mais matéria prima pra nossa bomba caseira.
Quando estávamos saindo, pára um ônibus bem na frente e desce um cabeludo com mochila nas costas e uma viola, era o Daniel...."
Pois eu (Daniel) já tinha até me esquecido que depois da carona eu tinha pego ainda mais um ônibus.
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No dia seguinte ao episódio do Divino com a orelha cheia de areia no bar (veja parte 2) reencontrei o maluco que se dispôs a emprestar a barraca dele.
Falei com o cara, ele topou empresta-la. Fomos até lá e deu um certo desânimo ao ver que a era daquelas pequenas, prá duas pessoas. Ele concordou que revezássemos o seu uso prá dormir.
Depois de tudo acertado, convidamos o cara prá dar uma volta pela cidade. Ele concordou mas disse que antes tinha que fazer um rango.
Ele revirou algumas coisas, pegou um saco de papel,. tirou um pedaço de pão já mordido e deu umas batidas prá derrubar as formigas que compartilhavam com ele da mesma refeição. Depois começou a dar mordidas e a mastigar rapidamente. Guardou o pão novamente no saco prá próxima refeição do dia.
Falamos prá ele que tínhamos trazido fogareiro e comida e que ele poderia comer com a gente enquanto estivéssemos ali.
Aí o cara me saiu com essa pérola:
-- Bah, rango de panela faz uma semana que eu não como...
Os olhos da figura brilharam diante da possibilidade de comer finalmente alguma comida de verdade. As formigas é que devem ter ficado tristes por ter perdido o parceiro de pão.
Não sei como é o Carnaval de Laguna atualmente, mas nos anos 80, era realmente muito freqüentada sobretudo por canoenses. Era bastante comum encontrar amigos e conhecidos nas ruas naquele tempo, quem era de Canoas como nós se sentia em casa. Fora isso, nossa cara-de-pau era tamanha que fazíamos amizades por todo canto.
Teve dias que choveu bem na hora de cozinhar, aí o jeito foi pedir prá uma família da barraca ao lado para que nos emprestasse a área prá cozinharmos.
--Divino, conseguimos um lugar prá cozinhar, vamos nessa.
Ele pegou os apetrechos e foi conosco até lá. Montou o fogareiro e começou a pedir alguns ingredientes emprestados prá dona da barraca:
-- A senhora teria um pouco de azeite prá me emprestar?
-- Sal?
-- Um pedaço de cebola?
Não que ele estivesse abusando da boa vontade daquele pessoal, é que se não fosse assim o rango não iria sair mesmo...
Acho que foi nessa mesma noite que estávamos dormindo e de repente sentimos alguém se amontoar por cima. O dono da barraca chegou na madruga prá lá de Marrakesch, e se jogou prá dentro esquecendo completamente que estávamos lá. O jeito foi alguém sair prá fora e dormir o resto da noite na grama ao ar livre



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Carnaval em Laguna - Final

Na verdade, do carnaval em si, da folia nas ruas, nem me lembro direito. Principalmente porque à noite o álcool inundava de tal forma nossos neurônios que sobram apenas flashes de memória dos acontecimentos.
Falando em porre, quem tomou todas mesmo numa daquelas noites foi o João (Betial). Encontramos ele num banheiro público com um rolo de papel higiênico na mão. Depois de algumas horas bebendo e nos divertindo no carnaval de rua vi que o João tinha passado da conta. De uma hora prá outra ele começou a girar no meio da multidão completamente fora de si.
Ele primeiro corria prá trás com a cabeça inclinada prá cima, descrevendo espirais que iam aumentando de diâmetro a medida que ia abrindo uma clareira no meio do povo. A partir de um certo ponto não era mais possível dizer se ele estava acelerando voluntariamente, ou se estava era tentando recuperar o equilíbrio. O fato é que já não se podia fazer mais nada prá ajudá-lo, estava entregue às leis da física.
Um paralelepípedo um pouquinho mais alto na rua pôs fim a agonia fazendo-o se estatelar no chão. Felizmente não se machucou muito, ou pelo menos nem sentiu. Espanou os confetes da roupa e recomeçou a beber.
Lembro que o Jorginho nos encontrou numa noite daquelas e nos aconselhou a irmos embora. O Marcão tinha pegado muito sol, tava num vermelhão de dar dó. Na época filtro solar não era prioridade. Na verdade nem sei se já existia...
A coisa estava braba mesmo. O cansaço das noites mal dormidas naquela barraca prá cachorro, o repetitivo arroz do Divino na improvisada cozinha nas pedras, as caminhadas intermináveis de um lado pro outro, além do trago todo que tomávamos esgotou-nos de um jeito que precipitou a volta prá casa.

Decidimos ir embora. Gastamos o dinheiro que sobrou num almoço substancial, que segundo o Marcão tinha até camarão.
Devido ao grande número de pessoas na cidade só conseguimos passagens para viajar de pé no corredor do ônibus e assim mesmo só até Tubarão.
Sabíamos que iria ser dureza enfrentar algumas horas de pé. Então compramos uma pinga, que se bem me lembro era uma daquelas caipirinhas prontas, de garrafa.
Por sorte logo de saída sobrou um lugar bem na frente e combinamos que revezaríamos prá que todos pudessem descansar.
Enquanto conversávamos de pé no corredor do ônibus íamos enchendo um copo plástico e tomando a bebida. De vez em quando o coletivo passava por um buraco ou mesma fazia alguma manobra brusca e o líquido precioso derramava do copo. Havia um casal de gordinhos sentados em poltronas diretamente expostos à chuva de caipirinha. O gordinho começou a se impacientar e a reclamar. Não sei se por temer alguma confusão ou se ainda existia um restinho de compostura, mas fizemos um esforço e demos uma segurada no trago.
De repente o Divino fala:

--Olha só o motora vai podar três caminhões.

Até achei que ele tava viajando, mas logo vi que era verdade. Os demais passageiros olharam todos prá ver o que estava acontecendo.
Foi aí que, já estando quase vencendo o último caminhão daquela ultrapassagem, surgiu um homem no meio da pista.
Não dava prá frear bruscamente colocando em risco todos os passageiros. O motorista deu uma segurada e pegou o cara de cheio.
O ônibus parou. Todo mundo em choque, só nós que não. Amortecidos pela caipirinha, fomos os primeiros a descer. Juntamos o homem agonizante e colocamos num carro para que o levasse ao hospital.
Alguns minutos depois chegava a polícia rodoviária dizendo que ele tinha morrido e que o ônibus deveria ficar ali mesmo prá perícia. Pronto, nos ferramos. Tivemos que ficar ali por várias horas esperando a chegada de um outro ônibus prá seguir viagem.
O Divino, prá variar, soltava piadinhas o tempo todo:
--Bah, motora tu é Pele Vermelha, tirou o escalpo do cara. – Falou apontando para um buraco com restos de cabelo na frente do ônibus.
Depois dessa tirada de humor negro fora de hora, ele passou a contar como tinha sido nosso carnaval em Laguna. Divertiu o pessoal. Sobretudo quando contou que o arroz que ele fazia era tão grudendo que o cara ficava com dificuldade de pular carnaval à noite nas ruas.
--Ficamos com as cadeiras duras... – Dizia prá gargalhada geral.
Finalmente depois de longa espera retomamos viagem num outro ônibus ainda menor que o primeiro, e terminamos dormindo no corredor uns encostados nos outros. Em Tubarão, baldeação e toca prá Porto Alegre numa indiada que parecia não ter fim. Finalmente chegamos em casa e dormimos uns três dias seguidos prá se recuperar do cansaço.
Apesar de tudo esse carnaval em Laguna foi mais um daqueles momentos mágicos que vão ficar guardados em nossas memórias pelo resto de nossas vidas.

Um passeio em Garopaba com os amigos Marcelo e Carlinhos



EU,MARCELO E CARLINHOS EM GAROPABA
Na foto acima estão eu (Daniel) e Marcelo Gonçalves em Garopaba, lá nos idos dos anos 80. Esta viagem foi sensacional e rendeu muitas histórias que são frequentemente lembradas quando a gente se reúne.
Fomos eu, Marcelo e o Carlinhos (irmão do Jorge ET "Rato Wakeman"). O Carlinhos tinha uma namorada em Araçatuba (em Santa Catarina próximo de Garopaba) que tinha arrumado quando acompanhou a banda Antares que foi tocar o Carnaval lá. É bom que se diga que era um namoro ainda bem no início que ainda não lhe conferia muita proximidade com a família da moça. Faço questão de citar estes detalhes porque os acontecimentos que se seguiram naquela nossa estada por aquelas bandas, incluindo as frequentes jantas e cafés da manhã que nós três filávamos na casa dela é no mínimo uma tremenda cara-de-pau.
Já na saída da rodoviária de Porto Alegre começaram os motivos pra gozação. As poltronas foram compradas separadas. A fome que começou a fazer a minha barriga roncar  me causou um certo constrangimento.
O Marcelo numa poltrona do corredor, sentou do lado de uma senhora com uma criança que apesar de já meio grandinha, viajava no colo da mãe. Pois a dita cuja passou uma boa parte da viagem comendo chocolate e passando as mãos melosas na manga da camiseta do nosso amigo. A uma certa altura da viagem ela teve uma dor de barriga e passou a pedir licença a cada dez minutos ao Marcelo pra ir ao banheiro. Além inconveniente que estava causando a ele, o cheiro nada agradável que emanava toda vez que ela abria a porta do sanitário fazia os demais passageiros trancar a respiração por alguns segundos.
O Carlinhos estava do lado de uma outra senhora que de vez em quando cismava em viajar de pé, talvez pra aliviar alguma dor nas pernas e ficava no corredor apoiada no encosto da poltrona dele. Eu lá de trás me divertia vendo ele se inclinando no sentido oposto da mulher cada vez que ela cochilava de pé numa tentativa discreta de ‘desencostar’ dela...
Já era noite avançada, quando num trecho bastante escuro da BR 101 o Carlinhos nos acordou:
--Vamo lá que tâmo chegando...
Olhei pela janela e só via os vultos das árvores e um nevoeiro danado que não animava muito querer descer do ônibus.
Mas pegamos nossas coisas e seguimos o parceiro até a cabine do motorista. Ela falou alguma coisa pro cara e logo o ônibus parou.
Descemos os três naquele local ermo que, se já estava escuro, quando ônibus se afastou então... Tivemos que esperar alguns segundos até que a visão se acostumasse e o Carlinhos finalmente identificasse um caminho entre as árvores que levaria até o vilarejo.
-- Puta que pariu, mas isso aqui tá bem assustador.
Falei algo parecido com isso e comecei a falar da semelhança daquele momento com a cena do início do filme "Um Lobisomem Americano em Londres" que havia pouco tempo eu tinha assistido. Pra quem não se lembra, no filme dois estudantes americanos andam em meio ao nevoeiro num vilarejo no interior da Inglaterra. Dali a pouco um lobisomem os ataca.
A minha insistência em tentar assustá-los assumiu um caráter mais cômico do que macabro e passamos a nos divertir e rir muito da situação. Especialmente quando começamos a nos aproximar de alguns botecos e os moradores dali olhavam todos prá nós como se fôssemos uma aparição saindo do nevoeiro naquele caminho entre as árvores.
Chegamos na casa de um conhecido do Carlinhos que concordou em nos ceder o terreno para armarmos a nossa pequena barraca. O Carlinhos ficaria hospedado na casa da namorada, se não me engano.
No dia seguinte àquela primeira noite de sono mal dormido, o Marcelo descobriu que tinha uma pedra embaixo da barraca bem do meu lado de dormir, o que justificava eu ter passado a noite tentando me alinhar sem conseguir. E como ele tirou sarro da minha cara por causa disso... até hoje ele conta esta parte da história acrescentando que eu supostamente teria dito a ele que eu suspeitava estar com alguma problema na coluna, quando o que estava desalinhado era o próprio chão.
Mas a minha oportunidade de retribuir a gozação chegou logo. Num dia pela manhã olhei pela janela da casa do cara que nos havia cedido o terreno e vi a empregada da casa, uma menina negra, chupando a lata de leite condensado que o Marcelo tinha deixado na geladeira deles para não estragar.
Ou seja,a neguinha dava umas 'bicotas' no leite Moça e o Marcelo todo dia passava um pouco no pão...


A distância da praia propriamente dita era de mais ou menos uns 18 Km e era ruim transpô-la a pé, numa época que nem cogitávamos em comprar um filtro solar. A grana escassa que tínhamos mal deu prá sobreviver naqueles dias que lá ficamos. Cada dia que passava e nossa provisão de alimentos escasseava, mais ousados ficávamos no que se refere a ‘filar um rango’ na casa da namorada do Carlinhos.
Lembro da primeira noite que sentamos à mesa com a família toda prá jantar.
A cena era meio surrealista, pois todos ficaram praticamente em silêncio nos observando. O Carlinhos dê-lhe a contar histórias numa tentativa de quebrar o gelo daquela situação.
Num canto da sala havia uma TV preto e branco antiga ligada na novela. Essa TV era simplesmente uma 'viagem', era daquelas que foram usadas antigamente e que já vinham de fábrica com um vidro em três cores que se sobrepunha ao tubo de imagem. Ou seja,era uma TV 'a cores' num certo sentido, embora as cores permanecessem estáticas em três faixas horizontais que cobriam todo a tela.
O Carlinhos volta e meia perdia a compostura e pegava salada da travessa direto com as mãos, sem usar talheres. E eu e o Marcelo ali, nos contendo e nos esforçando muito prá não cair na gargalhada.
Quando digo que nossas provisões eram poucas, estou falando sério. Lembro que as bolachas que havíamos levado foram quase todas consumidas na demorada viagem de ônibus de Porto Alegre até lá. Sobrou uma lata de salsicha,uma lata de goiabada e uma lata de pêssego em calda. Alguém pode estar se perguntando,porque levar pêssego em calda e goiabada? Era o que tinha sobrando no armário de casa. E quando não se tem muita grana, qualquer coisa comestível vira dinheiro. Arroz, batata, essas coisas, nem cogitávamos levar porque não só não tínhamos qualquer espécie de fogão como também não sabíamos cozinhar.
Lembro que num dos últimos dias dessa estadia em Santa Catarina comemos goiabada com salsicha e pra descer tomamos a calda do pêssego misturada com água. Essa improvável combinação culinária demonstra a criativa capacidade adaptativa do homem em situações de privação.
Por falar em passar necessidade quero lembrar que foi nessa nossa viagem que apelidamos o nosso amigo César Fraga (Cesinha da banda Big Zen Voodoo) de ‘Tubarão’. Isso porque encontramos ele na praia catando alguns peixes doados pelos pescadores numa tentativa de garantir a refeição diária. Pois no momento que nós o encontramos ele tava com um filhote de tubarão martelo na mão. Foi muito cômico. Batemos até uma foto que quando eu achar eu coloco aqui.
A ida para praia, portanto, não era muito fácil. Primeiro pela distância já citada entre a tal de Araçatuba, onde ficava nossa barraca e Garopaba. Segundo porque ônibus que cobrisse aquele trajeto era apenas um ou dois por dia.
Um dia de tanto caminharmos no sol nos deslocando pra praia, o Marcelo ficou com o pé muito queimado que passou a inchar e incomodá-lo até a hora de voltarmos pra Canoas. Noutro dia voltando também a pé, um touro se 'encarnou' em mim. Ficou me fitando e se aproximando com um olhar amedrontador. Suspeitei que era por causa do desenho de um sol vermelho enorme na minha camiseta. Tive que apressar o passo e até correr um pouco prá sair da linha de alcance do bicho.
Diante disso a alternativa era pegar carona. Certo dia pegamos carona num caminhão que estava transportando um barco. Como não tinha lugar na cabine fomos na carroceria,um de cada lado do barco.
Os caras resolveram nos sacanear e passavam acelerados pelos buracos da estrada e davam risada na cabine olhando pelo retrovisor e vendo nós dois passando mal lá atrás. É que o barco de vez em quando se deslocava para um ou outro lado e quase nos derrubava do caminhão.
Ao chegarmos na praia eles queriam que ajudássemos a descarregar o barco. Saímos fora e não demos nem conversa pra eles.
Acho que foi neste mesmo dia que,depois de alguns mergulhos no mar, ao sairmos da água percebermos que a camiseta do Pink Floyd nova do Marcelo tinha desaparecido da areia. Procuramos ali por perto e nada de encontrar. Certamente alguém tinha roubado. O desaparecimento da camiseta configurou-se um problema sério porque havia uma placa no ponto de ônibus que alertava dizendo que sem camisa não era possível viajar no coletivo.
Já estávamos admitindo a hipótese de ter que encarar a pé o trajeto de volta quando encontramos uns caras jogando futebol na beira da praia. Suspeitamos daquele pano branco que servia como uma das traves. Dito e feito: Era mesmo a camiseta do Marcelo. Pegamos a dita cuja que já não tinha mais o aspecto de uma camiseta nova. Na verdade estava toda molhada, cheia de areia e bem esticada. Provavelmente alguém a tinha torcido ou algo parecido. O nosso amigo teve que a usar naquele estado mesmo.Era o único jeito de voltar de ônibus. Mas que ficou esquisito ficou. A camiseta branca encardida, cheia de areia e com a gola enorme caída prá um dos lados deram uma aparência deprimente ao Marcelo. Em solidariedade eu e o Carlinhos poupamos ele das gozações, por digamos uns 10 minutos...



Depois de alguns dias naquela pindaíba, sem dinheiro nem pro rango básico, partimos pro desespero: tomar inclusive café da manhã na casa da namorada do Carlinhos. Até prá nossa tremenda cara-de-pau aquilo foi o limite. Em seguida o Marcelo resolveu semandar de volta prá casa.
Minha memória me trai e já nem me lembro como eu e o Carlinhos fomos embora também. Só lembro que na viagem de volta tínhamos comprado dois pãezinhos que comemos a seco prque a grana tinha definitivamente acabado.
Apesar de todos os contratempos, esta viagem foi um dos momentos que considero mais mágicos de minha juventude do qual me recordo frequentemente e me orgulho de ter vivido.